Mulheres que Inspiram: Angela Davis é ícone do feminismo negro

Ela foi presa injustamente acusada por um crime que não havia cometido

by redação bazaar
Foto: Divulgação

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Por Marina Monzillo

Por trás do existe uma mulher real. Angela Davis ganhou popularidade internacional nos anos 1970, quando sua imagem circulou o mundo em uma campanha de libertação chamada “Free Angela”. Integrante do movimento pelos direitos civis, ela havia sido injustamente acusada por um crime que não havia cometido, como parte de um processo de criminalização contra ativistas políticos, especialmente afro-americanos, nos Estados Unidos.

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“Uma Autobiografia” (Ed. Boitempo, R$ 58), escrita por ela aos 28 anos, após sair da prisão, chegou este ano ao Brasil, 45 anos depois de seu lançamento original, e é uma oportunidade de observar Angela de forma plural. “Ela é mais do que a mulher negra com o cabelo afro, é uma filósofa pioneira em debates sobre o racismo e o feminismo. Ficamos presos somente à imagem dela, que é importante, mas não é sua totalidade”, comenta Raquel Barreto, historiadora e pesquisadora que assina o prefácio da edição brasileira do livro.

A obra é relevante por esse e outros motivos, entre eles, porque existem pouquíssimas autobiografias escritas por mulheres negras. “No caso da de Angela, ela ‘olha para fora’ e escreve sobre o mundo que conheceu. Outro aspecto interessante é a possibilidade de saber um pouco mais sobre um período histórico bastante particular e intenso, os anos 1960 e 1970, nos Estados Unidos, marcado por uma efervescência social, política e cultural muito grande. Por fim, como narrativa, o texto prende a atenção do leitor”, diz a historiadora.

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Na introdução, a ativista deixa claro que não pretendia narrar sua vida de forma narcisista, mas dentro de um movimento político maior, em que ela era uma de muitas pessoas envolvidas. “A experiência de Angela não pode ser vista fora de uma experiência coletiva, de uma geração que acreditava e lutava por mudanças”, explica Raquel, que nota como algumas vivências pessoais formaram o pensamento filosófico da autora. “Ela narra episódios em que sofreu com o machismo e com uma ideia preestabelecida sobre como mulheres negras deveriam se comportar, era também confrontada por atitudes machistas que vinham dos homens que estavam no movimento.”

Nas décadas seguintes a “Uma Autobiografia”, Angela escreveu uma quantidade considerável de livros, artigos, proferiu inúmeras palestras no mundo todo. Continuou como uma voz por justiça social. “Angela Davis não envelheceu, ela se tornou clássica. Suas ideias e sua presença no mundo continuam vivas”, acredita Raquel.

Sobre a passagem do tempo e esse legado, Raquel analisa: “Angela está conosco e estará mesmo quando não estiver mais, como ancestral. A ideia de envelhecimento está marcada por uma visão ocidental de sobrevalorizar a novidade, a juventude em detrimento da sabedoria, do vivido. Na nossa tradição negro-africana, os mais velhos e as mais velhas têm um lugar central”.

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