Casulo pra Rua – Foto: Divulgação

Por Diogo Rufino Machado

Casulo pra Rua, projeto criado por Bibi Fragelli e Patrícia Curti, é uma luzinha no fim do túnel no mundo em que vivemos. Inquietas com a situação dos moradores de rua da cidade de São Paulo, que têm suas barracas confiscadas, seus cobertores e colchões molhados pela guarda civil metropolitana, seus pertences roubados, entre outros riscos, elas resolveram se movimentar.

Indignadas com a chamada “limpeza urbana” e o higienismo, Bibi, estilista e figurinista, e Patrícia Curti, roteirista de TV e ativista social, resolveram se unir e criar o projeto Casulo pra Rua.

Os casulos são sacos de dormir, quentinhos e impermeáveis, com um bolso interno dentro do travesseiro para guardar com segurança os objetos pessoais. Leves e facilmente dobráveis, eles podem ser carregados como uma bolsa a tiracolo. O fechamento com velcro permite unir duas peças para fazer um casulo de casal. Possuem três camadas: a externa é de nylon emborrachado e impermeável (para evitar a chuva ou os jatos d’água); no miolo, há uma tela espumada que traz conforto e calor; e internamente há uma camada de nylon resinado, agradável ao toque.

Mulheres que inspiram - Bibi Fragelli e Patrícia Curti criam o projeto Casulo pra Rua
Foto: Reprodução/Instagram/@casuloprarua

Os casulos são confortáveis (na medida do possível), quentes, macios e fáceis de transportar. Cada um tem o custo de produção de R$ 158,00 e são distribuídos gratuitamente por meio de vários parceiros, como o Padre Júlio Lancellotti e o Consultório na Rua. Por já ter um trabalho sério e consistente junto à população em situação de rua, eles conhecem os dramas e necessidades de cada região da cidade e sabem exatamente para quem entregar os Casulos.

Outro viés do projeto é dar trabalho a costureiras de baixa renda e pagar a elas um valor digno, R$50,00 por casulo. Várias oficinas de costureiras já participam do projeto.

Além dos doadores, que contribuem com dinheiro para financiar o Casulo, há um contingente de pessoas que querem ajudar, mas não têm dinheiro para contribuir. Então participam fazendo a distribuição dos Casulos pela cidade, num trabalho de entrega extremamente minucioso e cuidadoso.

O projeto, que nasceu no dia 16 de abril, tem feito um grande sucesso. A intenção das idealizadoras é que o Casulo seja replicado e se multiplique pelo Brasil e mundo afora. Para isso prepararam uma cartilha, desenvolvida pela ,ovo, explicando passo a passo como fazer o casulo e quais os materiais adequados. A etiqueta do casulo é autoexplicativa: mostra como ele deve ser dobrado. Distribuída gratuitamente, a cartilha está disponível para ser baixada no link na bio do Instagram da Casulo pra Rua. Juntamente com a cartilha, peças piloto já foram enviadas para cidades como Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Campinas, Salvador e Nova Iorque. A intenção é essa mesmo. Que o projeto se expanda e vá cada vez mais longe!

E tem mais? Se é um casal em situação de rua (pois, como me ensinou, Patrícia Curti não há morador de rua e, sim, pessoas que estão nessa situação), o casulo individual pode ser combinado a outro para virar um casulo de casal. Imagina que emoção para essas pessoas ganharem algo novo e limpo, que nunca foi usado por ninguém?

Pois é, você se comove e quer ajudar o projeto? Escreva um e-mail para casuloprarua@gmail.com, chame no Instagram ou faça sua doação pelo PIX 55369060/0001-78 (CNPJ de Panda Produções Artísticas). Esse projeto merece o seu, o meu e o nosso apoio.

Lembramos que o casulo é apenas um paliativo e não resolve o problema dessas pessoas, mas pelo menos as mantém “confortáveis”, secas e seguras para dormir. As idealizadoras do projeto também lutam em outras frentes para transformar essa realidade.

Mas, enquanto isso não acontece, o casulo tem ajudado, e muito, aqueles que necessitam.