Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

A recomendação dos principais órgãos de saúde na batalha contra o coronavírus é clara: se possível, fique em casa. Para diminuir o contato social e a propagação da doença, evitando que ela atinja principalmente a população que integra a zona de risco, este é o momento para adiar diversos compromissos e dar uma chance para o home office.

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Com este cenário, os eventos e programações de lazer são os primeiros a serem riscados da agenda, fazendo com que uma nova lista de maneiras de se distrair sem sair de casa seja criada. Para quem tem como meta ler mais em 2020, esse é o momento perfeito para se jogar nos livros. Nesta semana, a coluna “Mulheres que Inspiram” separou algumas autoras que podem ajudar a fazer este momento passar mais rápido e de forma mais prazerosa:

Margaret Atwood

Foto: Divulgação

Especialista em criar distopias que mexem com a nossa cabeça, o cenário atual do mundo podia estar facilmente em um livro de Margaret Atwood – uma epidemia viral que transforma o dia a dia populacional e resulta em mudanças sociais, econômicas e ambientais. Seu livro “O Conto da Aia” ganhou muito destaque nos últimos anos, principalmente após ter sido transformado em série, apesar de ter sido lançado em 1985.

A obra conta a história de Nova Inglaterra depois que um poder autoritário e cristão derruba o governo norte-americano, dividindo a população em castas sociais e limitando direitos humanos e, principalmente, das mulheres. Offred, a protagonista do livro, é parte de uma classe de mulheres mantidas para fins reprodutivos – as “Aias” -, que deve dar filhos aos casais da classe dominante, que enfrenta a esterilidade causada pela poluição e doenças sexualmente transmissíveis.

“O Conto da Aia” é o tipo de livro que revira o estômago e a cabeça. principalmente por questionar o quanto os direitos das mulheres são subjugados e seus deveres exacerbados. Em 2019 foi lançada a continuação da obra, chamada “Os Testamentos”.

Elena Ferrante

A verdadeira identidade de Elena Ferrante é um verdadeiro segredo – ela concede pouquíssimas entrevistas e apenas por escrito e intermediada por suas editoras -, o que apenas aumenta a curiosidade em ler suas obras impecáveis e viciantes. Entre seus livros lançados, a série Napolitana conta a história da amizade conturbada entre duas mulheres, Lenu e Lila, em quatro livros, e está sendo adaptada para televisão.

Para quem prefere embarcar em uma história mais breve, “Um Amor Incômodo” e “A Filha Pe”rdida” são nossa recomendação para se apaixonar pelo trabalho da escritora.

Carolina de Jesus

Foto: Domínio Público

Uma das mais importantes escritoras brasileiras conquistou o país com uma obra que, num primeiro momento, parece simples: seu diário. Em “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, Carolina de Jesus compartilhou com muito primor sua realidade de mãe, catadora de papel e moradora da favela do Canindé, na zona norte de São Paulo.

Sua obra foi publicada com a ajuda do jornalista Audálio Dantas, em 1960, e traduzida para mais de dez idiomas. A autora não tem medo de contar a realidade de uma mulher negra e relembra o dever da sociedade de dar espaço a todas as histórias, principalmente as que nascem nos lugares mais inesperados.

Chimamanda Ngozi Adichie

Foto: Reprodução/Instagram/@chimamanda_adichie

A escritora feminista e nigeriana foi responsável em atrair diversos leitores jovens para duas características que nem sempre estão no centro das atenções: a literatura que foge do epicentro americano e a luta por igualdade de gênero. A lista de obras de Chimamanda é extensa e tem opções para diferentes gostos.

Para os fãs de romance, “Hibisco Roxo” e “Americanah” são as melhores opções. Para quem quer se aprofundar mais no feminismo, seus manifestos são curtos, simples e prazerosos de ler. “Sejamos Todos Feministas” e “Para Educar Crianças Feministas – Um Manifesto” são perfeitos para quem busca obras mais breves, mas não menos densas.

Djamila Ribeiro

Foto: Bob Wolfenson, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, cabelo de Virginia Alves, maquiagem de Beatriz Alves e agradecimento para Soraya Chara

A ativista brasileiro não tem medo de tocar em feridas e falar sobre assuntos delicados, o que faz com que suas obras e textos sejam perfeitos para quem quer aprender mais sobre temas atuais e essenciais, como o feminismo negro e o conceito de “lugar de fala”. Pesquisadora e mestra em Filosofia Política, Djamila se tornou referência nacional sobre estes assuntos.

“Lugar de Fala” é uma leitura essencial em um momento em que a internet torna mais fácil a disseminação de discursos dos mais diversos temas, incluindo quando são debatidos por pessoas que não se encaixam no escopo de pessoas afetadas ou protagonistas do assunto. Sua última obra, “Pequeno Manual Antirracista” só reforça o momento em que repensamos o racismo não apenas em ações amplas e óbvias, mas também em comentários e termos que parecem inofensivos, mas que atingem grande parcela da população.