Foto: Reprodução/Instagram/@karlasouza

Você deve reconhecer Karla Souza de uma das produções mais comentadas do portfólio de Shonda Rhimes: a série “How To Get Away with Murder”. Ao longo da história, a atriz passou de uma das alunas de Annalise Keating (Viola Davis) a uma das personagens centrais da história. Mas a carreira – e a importância da trajetória de Karla – não para por ai.

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Nascida no México, a atriz é filha de um chileno e uma mexicana, Karla morou em Aspen até os oito anos e, depois, estudou atuação no Centro de Educação Artística da rede de televisão Televisa. Seu currículo escolar ainda conta com um bacharelado em artes na Central School of Speech and Drama, em Londres.

Aos 22 anos, a atriz voltou ao México para dar inicio a sua carreira de atriz, estreando na televisão em uma novela de 2009. Depois de se firmar no cenário de entretenimento mexicano, Karla se mudou para Los Angeles, em 2014, quando começou a trabalhar na série que conta a história de cinco estudantes de Direito que se envolvem na vida complicada de uma professora rigorosa.

Quando questionada sobre as diferenças entre uma produção latina e uma hollywoodiana, Karla Souza afirma que as singularidades são semelhantes às diferenças entre as festas dos dois universos.

“Se você vai a uma festa nos Estados Unidos, ela começa no horário certo e termina quando as pessoas começam a se divertir. As pessoas levam algo, como um vinho ou outra coisa. Mas se você tem uma festa no México, pode ter marcado para as 15h, mas as pessoas começam a chegar as 18h e ela não termina até as 5h da manhã – e a música fica bem alta e os vizinhos não podem realmente dizer nada. Essa é a diferença entre filmar na América Latina e nos Estados Unidos, em termos do relaxamento que você tem quando está fazendo um projeto sem se preocupar se pode ser processado por tudo o que faz. Por isso eu continuo voltando a trabalhar no México ou na América Latina, porque me sinto mais criativa quando estou mais relaxada”, contou a atriz em entrevista à Harper’s Bazaar.

Quarentena

Karla é mãe de uma menina de dois anos e está passando a quarentena em Los Angeles – o que faz com que seu isolamento social seja mais agitado do que das pessoas sem filhos. “É uma loucura! Quando vejo meus amigos sem filhos, como sua quarentena está e quando falam que estão entediados, quero lhes dar um tapa. Ficar em quarentena com uma criança de dois anos é outra experiência. Mas, você sabe, não é uma competição, apesar de ser muito difícil”, comenta.

Por recomendação médica, a atriz iniciou sua quarentena uma semana antes de as autoridades de Los Angeles instituírem a medida. “Sou uma pessoa que aprecio minha independência. Sinto que estou sentindo a tristeza coletiva de saber que o mundo nunca mais será o mesmo. E o processo de digerir isso é bastante interessante. Agora, estou tentando dar a volta, ser grata por ter uma casa, um quintal, por estar a salvo e pela minha família estar saudável”, diz Karla.

“Não sejam tão duras consigo mesmas”, aconselhou a atriz a outras mães que estão passando pela mesma situação, “fiquem bem e não se sintam tão culpadas. Por exemplo, não costumava deixar minha filha assistir a TV. E agora, não ligo. Tipo, deixo ela ver TV porque preciso de um minuto para mim. Mas também lembre que isso não é uma corrida, é uma maratona, então vamos com calma. Lembro que nas duas primeiras semanas, entrei nisso cheia de adrenalina, para ser a melhor professora que podia e lhe ensinar matemática e a pintar. Depois desse período, estava esgotada e chorando todas as manhãs. Então percebi que precisava encarar isso com muita, mas muita calma.”

Trabalho

Foto: Reprodução/Instagram/@karlasouza

Antes de o mundo enfrentar a crise atual, Karla Souza participou da produção original da Amazon “El Presidente”. A série, que estreia no dia 5 de junho, conta a história do escândalo de corrupção da Fifa em 2015, conhecido como Fifa Gate. Na trama, a atriz interpreta uma agente do FBI que usa disfarces e o fato de Sergio Jadue (interpretado por Andrés Parra) estar envolvido no assunto para desmascarar os crimes por trás do futebol latino.

A personagem é uma mulher forte que se coloca a frente de um caso recheado de homens corruptos e que estão dispostos a tudo por dinheiro. Karla contou que se sentiu atraída pela personagem desde o início, principalmente por ser tão diferente de tudo o que já havia feito.

“Ela é alguém muito forte e complexa, E posso interpretar sua versão espiã, que é mais feminina, gentil e amável enquanto trabalha naquela espécie de hotel. E quando ela sai daquele ambiente, é completamente diferente. Realmente gosto desta justaposição e mudança. E, como pode ser visto ao longo da série, ela é uma representante norte-americana e não queríamos que ela fosse uma espécie de heroína poderosa no final. Então temos uma personagem que também é tentada e corrompida, também é corrompível. Esse é um lado muito interessante que queria explorar”, conta.

Para alguém que não é fanática por futebol e que não conhecia o caso ao fundo, as nuances da personagem foi o que conquistou Karla a participar da produção.

Denúncia

Karla Souza se tornou destaque de manchetes de jornais e revistas em 2018, quando usou sua imagem pública para relatar um caso de assédio no início de sua carreira. Em entrevista à rede CNN, a atriz relatou que enquanto filmava uma série televisiva – que não identificou -, foi alvo de cantadas e assédio físico e emocional de um produtor que não revelou o nome.

“Depois de ser alvo deste abuso total, de seu poder, acabei cedendo, de certa forma, que me beijasse e me tocasse de formas que não queria que me tocasse. E em uma das ocasiões me agrediu violentamente. E, sim, me estuprou”, disse na época.

Mesmo tanto anos depois do ocorrido, a coragem de Karla levou a rede de televisão a fazer uma investigação e identificar que o agressor era Gustavo Loza, diretor e produtor de renome no teatro mexicano. A Televisa cortou qualquer relação com o assediador.

Depois de anos se fortalecendo e recuperando do ocorrido, a coragem de Karla representa o que diversas outras mulheres tiveram de enfrentar, colocando luz em uma prática que foi durante tantos anos normalizada na indústria cinematográfica.