Flavia Durante – Foto: Reprodução/Instagram/@flaviadurante

Aos 43 anos, Flávia Durante se estabeleceu em um mercado cheio de autocensura. Comunicadora de formação, DJ, empresária e ativista, ela não esperou pela coisa toda acontecer – preferiu partir para a luta e traçar o próprio caminho. Idealizou e criou a Pop Plus, feira de moda e cultura voltada para corpos diversos, que reuniu em sua última edição mais de 12 mil pessoas, e é embaixadora do programa #ElaFazHistória, do Facebook.

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“Vejo a mudança que rolou nos últimos dez anos muito mais pelas pessoas gordas que se movimentaram para melhorar esse panorama do que pela indústria de moda já existente. A Pop Plus é um reflexo da lacuna que existia, pois a moda feita para pessoas gordas há dez anos visava apenas escondê-las. Não havia tendência ou formação de um mercado focado naquele nicho”, pontua.

Roupas da coleção atual da Pop Plus – Foto: Reprodução/Instagram/@popplusbr

A partir do pioneirismo de Flávia Durante, muitas marcas brotaram no circuito – mais humanizadas e especializadas no segmento. “Quando a gente batalha por menos opressão de corpos e de padrões dissonantes, a gente não quer que todo mundo seja gordo ou seja magro. Queremos é que as pessoas tenham autonomia sobre os seus corpos. Então, não podemos pensar em padrões e, sim, em respeito”, analisa.

Roupas da coleção atual da Pop Plus – Foto: Reprodução/Instagram/@popplusbr

“Infelizmente, na prática, a moda ainda não normalizou os corpos pretos, trans, gordos… Quando a gente vê o corpo gordo, trans, preto é sempre em um ‘caderno especial’ da revista de moda. É como ter cotas sistematicamente implementadas. Preto está na capa no mês da Consciência Negra, não no verão; trans existe somente em junho, não em setembro. A mulher gorda jamais é retratada como fashionista, ela aparece (quando aparece!) em um editorial como um corpo objetificado e hipersexualizado. Isso precisa ser revisto com urgência. A gordofobia é estrutural – e só a educação será capaz de mudar essa realidade”, finaliza.