Foto: Divulgação
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“O humor sempre esteve presente lá em casa, o nordestino cria essa couraça, porque você já nasce na adversidade. O humor para mim foi como um colete salva-vidas”, conta Dadá Coelho, humorista piauiense, nascida em uma família de 13 filhos. Para ela, a comédia era uma maneira de chamar a atenção e lutar contra a hierarquia de casa. “Minha mãe servia primeiro meu pai, só depois podíamos comer”.

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A carreira na comédia foi como um reflexo da personalidade de Dadá Coelho. Formada em jornalismo, a humorista trabalhava com produção no Maranhão, sendo requisitada sempre que uma grande emissora gravava no estado. Até que uma diretora da Globo, que achou Dadá engraçada, a chamou para fazer uma participação na novela “Da Cor do Pecado”. “Aquilo mexeu comigo, de estar de um lado do balcão que nunca estive. Foi então que decidi ir para o Rio de Janeiro. Iludida, claro, achando que ia chegar e ser acolhida, mas ninguém falava comigo. O único emprego que arrumei foi como fiscal de figurante”, lembra.

Foi um amigo que, entre trocas de email com a atriz, lhe deu a ideia de criar um blog. Escrevendo com seu lado humorístico, Dadá foi convidada para fazer uma performance no Cabaré das Rosas, no centro do Rio de Janeiro. “Sou fruto da internet. Foi a partir de uma postagem e da minha performance de vendedora de vibrador usado que fui convidada a dar uma entrevista no Jô Soares, que sempre digo que devo tudo para ele. Falei uma hora e vinte minutos no programa, a entrevista teve um milhão de acessos no dia”, conta.

Foto: Reprodução/Instagram/@comedycentral
Foto: Reprodução/Instagram/@comedycentral

Depois disso, tudo mudou na vida da comediante, que começou a escrever, além de atuar. Dadá Coelho faz parte do novo programa do Comedy Central, “A Culpa É da Carlota”, que estreia nesta segunda-feira (03.02). Ao lado de Cris Wersom, Arianna Nutt, Bruna Louise e Carol Zoccoli, a atriz forma a primeira mesa redonda do humor com apenas mulheres. A novidade é inspirada em “A Culpa É do Cabral” que reúne comediantes de todo o Brasil para comentar assuntos variados da atualidade.

“No momento em que estamos vivendo, acho tão importante fazer parte de um projeto só com mulheres e ainda todas comediantes. Agora temos espaço, a mulher sempre foi escada no humor. Que bom que agora a gente não vai ficar calada, não vai mais ser escada, vamos poder falar de tudo. Estou muito feliz”, conta Dadá. “Acho que rolou um clima muito bom [entre o elenco], rolou sororidade, ninguém estava ali para derrubar ninguém, muito pelo contrários, estávamos ali para enaltecer uma a outra”.

Para Dadá, estamos em um momento em que o que era normal, não é mais aceitável. “Não se pode assediar uma pessoa – coisa normalizada antigamente -, não se pode falar por uma negra, não sendo negra… Eu, por exemplo, sou mulher e nordestina, já precisei me provar vinte vezes por causa disso. Ainda mais como humorista, sempre foi difícil. Precisamos ir lá e arrombar portas. Já tive reuniões em que minha piada não era aprovada, eu passava um bilhete por baixo da mesa para um colega homem e a chefia achar maravilhosa. Já tive trabalhos em que tinha a mesma quantidade de cena e de falas que colegas homens, mas meu salário era metade do deles. Mas não coloco isso apenas na conta dos meninos, acho que também estamos aprendendo”, reflete.

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