Day Carvalho – Foto: Marina Sampaio/Divulgação

Aos 29 anos, Day Carvalho impressiona com o estilo “furacão” de se expressar e se engajar com um trabalho. Filha de pais nordestinos, ela conta que se considera “do Brasil”. “Como meu pai é engenheiro civil, morei em muitos lugares, mas fui criada em São Paulo”, lembra. Ela estudou na escola pública e fez técnico em administração. “Meu primeiro emprego foi aos 16 anos, na recepção de uma agência de publicidade”, recorda. Nesta época, trabalhava na região da Faria Lima, em São Paulo, e sempre sonhava em trabalhar no UOL. “Achava aquele lugar o máximo, com gente estilosa trabalhando nos primórdios da internet”.

Furacão que é, já na faculdade de publicidade ela foi chamada para o cargo de executiva de contas no portal, desenvolvendo o Toda Oferta, que estava nascendo para bater de frente com o Mercado Livre. “Eu vi o PagSeguro nascer, era tudo muito novo”, diz. Em uma mudança um tanto quanto radical, em 2014 foi chamada por um ex-cliente para participar de uma start up de cashback. “Foi meu primeiro contato com o conceito, que mal existia no Brasil. Também foi a primeira vez que senti o que é empreender, pois tive plena liberdade de tomar decisões”.

Com o aprendizado que teve na start up, o mercado logo ficou de olho em Day, que foi chamada pela gigante de cashback Méliuz, com sede em Minas Gerais, para assumir o posto de executiva de contas em São Paulo. “Lá desenvolvi meu primeiro grande projeto, que educou o consumidor para o fato de o cashback ser um valor agregado, não um desconto. É uma mudança de cultura”, diz.

Tão nova e já uma autoridade na área, não demorou para ela ser chamada pela AME para tocar o departamento de expansão de marcas. “O Brasil tem públicos muito diferentes, cada região do País tem uma linguagem. É um grande desafio trabalhar uma marca em diferentes regiões. E, assim, ela foi para o Rio de Janeiro com uma missão bem desafiadora. “Meu briefing era: quero que você pinte a cidade de rosa (cor oficial da AME) neste carnaval de 2020”.

Day Carvalho – Foto: Marina Sampaio/Divulgação

Com esta tarefa nada fácil, Day colocou a mão na massa, e começou justamente pelos ambulantes do Carnaval. “Tive de ensinar para 15 mil pessoas como se oferece o pagamento via celular com AME e o que é cashback. Exerci muito neste período a minha empatia, me colocar no lugar do outro, pois são pessoas muito diferentes entre si, desde o morador da comunidade até o advogado que tirou férias para trabalhar como ambulante e ganhar um dinheiro extra”, pondera.

Mas o projeto, claro, deu muito certo e foi muito além da publicidade na orla. Incluiu até o uniforme dos trabalhados das areias, que ganharam blusas de manga longa com proteção UV no tom rosado. Além disso, também espalhou wifi gratuito em todos os principais pontos do Rio.

Por ser muito nova, a executiva conta que teve de ser muito ponta firme ao se comunicar. E ser uma mulher negra também tem seu peso. “Tive o privilégio de ter uma mãe que sempre blindou o racismo de uma forma natural. Minha mãe é branca e desde criança reforçava que a minha cor era linda. Não sei como isso me ajudou, mas nunca passou pela minha cabeça que a cor da pele poderia me atrapalhar. Hoje, entendo e enxergo o racismo, que muitas vezes acontece de forma velada. E, não só ele, mas também o machismo, a xenofobia e muitos outros preconceitos que assombram milhares de pessoas que não estão dentro dos padrões apontados pela sociedade”, conta. “Acredito que tive muita sorte de encontrar pessoas que me ajudaram a desenvolver o meu lado profissional e a assumir essa representatividade no mercado. Olhando para trás com mais maturidade, posso afirmar que já sofri racismo e machismo de colegas através de alguns comentários”, resume.

Foi depois do Carnaval que começou de fato seu relacionamento com a Mynd, onde atua como diretora de inovação até hoje. Entre as mulheres que a inspiram está a hoje consultora Rachel Maia, que já foi CEO da Pandora e da Lacoste no Brasil. “Ela sempre me fez enxergar que poderia ir mais longe. Sua história, representatividade e trajetória são de grande inspiração. Sempre olhei para ela e compreendi que também poderia seguir aquele caminho”, afirma.

E quais conselhos Day daria para jovens que querem entrar para este mercado? “Networking é tudo, conhecer pessoas é essencial. Curiosidade não mata o gato! Não é feio perguntar, você precisa expor suas dúvidas. E, acima de tudo, não tenha medo de errar. Tive um chefe que me falou ‘Erre, mas erre erros novos’. Levo esse lema para a vida”. Nós também vamos levar, Day!