Mulheres que inspiram: Dra. Abdulay Eziquiel e a importância da representatividade na medicina
Foto: Divulgação

Abdulay Eziquiel confessa que o gosto pela medicina começou ainda na infância. “Trilhei o caminho que sempre sonhei, desde criança eu aferia a pressão arterial dos meus avós diariamente, fazia anotações e traçava possíveis diagnósticos”, lembra a médica – homenageada da coluna Mulheres que Inspiram desta semana.

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“Foi no convívio com o meu avô que aprendi a ter orgulho das minhas origens nigerianas. Vi como o respeito que ele inspirava nas pessoas trouxe o mesmo orgulho para a minha mãe, formada em Direito, Letras e Psicologia. Espelhar-me no papel dela de mulher negra, independente e dona do seu futuro foi indispensável para a construção do meu lugar na sociedade”, conta.

Mulheres que inspiram: Dra. Abdulay Eziquiel e a importância da representatividade na medicina
A cardiologista Aline Tito, a cirurgiã plástica Abdulay Eziquiel, a oftalmologista Liana Tito Francisco, a dermatologista Júlia Rocha e a ginecologista Cecília Pereira, integrantes do Grupo IFÉ – Foto: Reprodução/Instagram/@grupoifemedicina

Abdulay fez especializações em cirurgia geral, plástica e microcirurgia, tornou-se professora do hospital da Gamboa, no Rio de Janeiro, speaker da Merz Farmacêutica e integrante do Grupo IFÉ, que também tem em seus quadros a cardiologista Aline Tito, a ginecologista Cecília Pereira, a dermatologista Júlia Rocha e a oftalmologista Liana Tito Francisco.

Nessa empreitada, elas querem derrubar algumas barreiras sociais e provar que representatividade importa. “É um projeto de amor à profissão e de zelo com aqueles que precisam. Somos cinco médicas, negras, com trajetórias semelhantes e o sonho de que, juntas, vamos mostrar a relevância de nosso impacto à sociedade, trazendo um ambiente seguro e acolhedor para os nossos pacientes.”

Alçada ao posto de mãe em plena pandemia – e com preocupações redobradas –, a cirurgiã sabe que precisa ser segura das suas conquistas e ter exatidão de onde se quer chegar. “O racismo, o machismo e o sexismo não irão desaparecer durante o meu tempo neste mundo, e é papel de todos que entendem sobre os seus impactos perversos, se posicionar contra eles. Tenho consciência de que a minha fala gera resultado, e devo usar esse lugar para tocar, de forma positiva, a percepção da sociedade sobre o papel da mulher negra. Essa visão me faz encarar os obstáculos raciais e de gênero com maior obstinação.”