Foto: Reprodução/Instagram/@dualipa

Depois de ter antecipado o lançamento do álbum para trazer um pouco de alegria em meio a pandemia, Dua Lipa apresentou seu novo trabalho, “Future Nostalgia”, no dia 27 de março. Uma das novidades mais aguardadas do mundo pop, a coletânea traz 11 músicas, incluindo os hits “Don’t Star Now”“Physical”, e, como diz o próprio nome, mistura elementos da era mais aclamada deste tipo de música, entre os anos 1990 e 2000, e uma batida mais moderna.

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Sem abaixar o ânimo em nenhum momento, Dua fecha o álbum com uma canção que levanta uma discussão muito atual: “Boys Will Be Boys”. Com uma melodia doce e a voz harmoniosa da cantora, quem ouve a música sem prestar atenção à letra pode acha que não passa de uma obra que fala sobre amor, mas na verdade aborda diversos tópicos sexistas, principalmente a diferente expectativa colocada em meninos e meninas, além da educação dada.

Dua Lipa começa a música discutindo como parece que já faz parte da natureza da mulher conhecer formas de se defender ao andar sozinha à noite ou censurar nossas opiniões e formas para não confrontar figuras femininas. A cantora analisa também como fazemos tudo isso com um sorriso na cara para aliviar a tensão, enquanto não há nada engraçado nessas situações.

O refrão, que retoma o nome da música, diz que “meninos serão meninos, mas meninas serão mulheres”. Apesar de parecer uma frase simples, tem uma conotação extremamente importante nos dias atuais. A maneira como a sociedade cobra as mulheres é completamente diferente de como cobra a responsabilidade de homens, tendo como uma desculpa para diminuir a consequência de seus atos o fato de que “meninos sempre serão meninos”.

Ao longo da letra, Dua Lipa ainda cita diversas questões essenciais da luta de igualdade de gêneros, como o mansplaining, quando um homem explica a uma mulher algo do qual ela é especialista, como se ele tivesse mais autoridade no assunto. A cantora também pede mais responsabilidade dos meios de comunicação, afirmando que nem meninas, nem meninos ficam bem com este comentário.

Dua é mais uma cantora a trazer discussões essenciais ao mundo da música, como Taylor Swift com “The Man”, em que critica a maneira como o sucesso de homens é enxergado com mais prestígio do que de mulheres.

Este tipo de música é uma forma fundamental de fazer com que diferentes públicos escutem e internalizem discussões que podem ser extremamente nichadas, ao mesmo tempo que dão confiança a outras mulheres de levantarem a voz para fazer suas manifestações serem ouvidas – e a arte pode ser um dos caminhos para isso.

Devemos aplaudir cantoras que dão a cara ao tapa e sedem espaços em seus álbuns para essas discussões, mas, ao mesmo tempo, este tipo de assunto deveria ser normalizado e não uma exceção dentro de um meio que costuma objetificar mulheres. Que Dua e Taylor sirvam de exemplo a outras grandes cantoras, levando o movimento que já é muito propagado entre artistas menores ao grande público.