Flora Botelho – Foto: Davi Reis

Foi depois do nascimento da terceira filha que Flora Botelho resolveu se dedicar ao empreendedorismo. “Queria priorizar a minha família e passar mais tempo em casa, então busquei alternativas que me dessem flexibilidade de horário. Nem sempre é possível fazer essa escolha em detrimento de um salário fixo, mas apostei nessa jornada com os riscos inerentes a ela. Tive algumas boas ideias, mas que não deram certo no médio prazo. Depois entendi que era importante criar projetos com começo, meio e fim”, diz.

E foi exatamente o que fez: há quatro anos, ela ajudou a colocar de pé a plataforma de doação online BSocial. “Por aqui, o compromisso é pensar em ações coletivas de doadores que acreditam na transformação. Para isso, antes de dar o start, foi preciso ressignificar a cultura de doação e mobilizar pessoas que queriam contribuir legitimamente. Na nossa estrutura digital é possível doar para uma Ong verificada, acompanhar o fluxo do investimento, receber informações, recibos e relatórios, a fim de deixar o processo transparente.”

Solidariedade

O que Flora desejava era estabelecer uma cultura de solidariedade permanente e deixar de lado o falso empoderamento – e esse sonho logo foi compartilhado com a dupla de sócias, Maria Eugenia Duva Gullo e Mariana Salles. “Nós sabemos que a melhor forma de cooperar para uma sociedade mais justa é acreditar na doação recorrente. E é aqui que a gente entra, para falar da população que ninguém fala, que não faz parte do mercado e não cabe no bolso da esfera pública. No último ano, por conta da crise sanitária e do agravamento dos problemas econômicos, fomos responsáveis, ao lado de mais dois instituidores (Idis e MBM), pela capitalização de R$ 43 milhões de reais repassados para a área de saúde. Mesmo com resultados positivos, seguimos na missão de conquistar recursos para manter diferentes projetos até que eles consigam atingir a sustentabilidade financeira.”

E o trabalho não para por aí. Flora divide o tempo com a educação das filhas adolescentes, as tarefas cotidianas e o casamento. “Percebo que a mulher vai muito bem como empreendedora. Ela é criativa, multitask, comprometida, resiliente, sensível e, com as devidas desculpas, muito mais madura que os homens. É a melhor combinação de virtudes para o mercado”, finaliza.