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Por Carolina Andraus

No ano 2000, a inglesa Jennifer Murray, então com 60 anos, foi a primeira mulher (e também a primeira pessoa) a dar a volta ao mundo, de polo a polo, pilotando sozinha um helicóptero e estabelecendo sua marca no Guinness Book.

Na época, chamada de a “high-flying grandmother” (algo como a vovó que voa alto), Jennifer rompeu diversos paradigmas após ter sido desafiada por seu marido que, no melhor estilo do sarcástico humor inglês, comprou um helicóptero e disse para ela “se virar com aquilo”. Em sua primeira tentativa sobreviveu a um acidente quase fatal no Polo Norte, que também se tornou um livro.

Sua aventura de volta ao mundo teve cobertura da mídia mundial e grande impacto na vida de milhares de crianças que tiveram a oportunidade de conhecer e conversar com Jennifer. Ela fez de seu projeto uma forma de se encontrar e inspirar crianças carentes em escolas públicas e instituições de todos os países por onde passou, inclusive no Brasil.

Com um background bastante eclético, a família de Jennifer viveu por muitos anos em Hong Kong, onde ela teve um negócio de design têxtil antes de abrir mão de sua carreira para se dedicar aos filhos e à família, sua principal prioridade até hoje.

Com os filhos já casados, e a chegada dos netos, Jennifer buscou se reinventar. Segundo ela, um dos grandes segredos para se manter jovem em qualquer idade é buscar ser uma versão atualizada de si mesma, oportunidade essa que acredita acontecer três ou quatro vezes no decorrer de uma vida.

O importante, segundo ela, é fugirmos do sentimento de que uma determinada idade simboliza o envelhecimento, o que absolutamente não se aplica a pessoas que se sentem estimuladas a produzir e a viver intensamente.

Chegando aos 80 este ano, Jennifer confessa que o número parecia um pouco assustador, porém afirma que seu estilo de vida continua extremamente dinâmico. Ela segue pilotando seu helicóptero entre suas casas de campo, no interior da Inglaterra, e a casa de veraneio na França. E conta que sua filha Susan agora tem feito uma boa dupla na pilotagem, em uma família em que apenas as mulheres estão na aviação.

Sobre seus segredos para uma vida em plenitude, conta que ela e o marido se deram de presente bicicletas elétricas, e que passaram a sair todos os dias para pedalar. Enfrentando com bom humor as muitas subidas pelo caminho, e com uma ajudinha do motor elétrico, os passeios diários se tornaram parte da rotina.

Além disso, atualmente, tem se dedicado à pintura, uma de suas grandes paixões, e vem pintando belíssimas imagens dos seus jardins. Como uma boa inglesa, vibra com a beleza da natureza e usa a mão na terra para se manter dinâmica e ativa.

Sobre a pandemia, ela disse não ter se conectado com o medo em momento algum, apesar de ser parte do grupo de risco. Com todos os cuidados, já começa a ver filhos e netos.

O segredo da plena forma em qualquer idade, segundo Jennifer, está em se permitir sentir estimulada e usar seus talentos de forma produtiva, construindo, assim, uma vida com propósito, o que serve como um maravilhoso conselho e grande inspiração para mulheres em qualquer idade.