Julia Tartari – Foto: Arquivo Pessoal

Ela teve que adiar os projetos por causa da pandemia, mas isso não quer dizer que deixou a vida em stand-by. Maquiadora e dona da marca de cosméticos multifuncionais, MoNA, inaugurada em 2018, Julia Tartari acredita que, mesmo sendo difícil pensar em tempo futuro, é importante planejar sabendo que tudo pode mudar de um dia para o outro. “Isso nos obriga a discutir o que é urgente agora, como nos posicionar hoje, e não deixar nada para amanhã.”

Quando a Covid-19 reescreveu o script, ela estava prestes a abrir o primeiro showroom, no icônico edifício Louvre, no centro de São Paulo. “A loja online e o perfil no Instagram já eram os meus modelos iniciais de trabalho, e com todos passando mais tempo na internet, a voz das pequenas empresas foi amplificada. Assim, percebi que o diálogo através das redes sociais é essencial para participar de uma comunidade inventiva.”

E Julia tem muito a dizer, começando pela quebra secular da autoestima construída pela camuflagem dos “defeitos”: “Maquiagens, cosméticos e rituais de beleza também podem ser opressivos quando impostos como regras que devemos seguir. A indústria da beleza sempre lucrou em cima das inseguranças das mulheres, vendendo produtos para cobrir imperfeições ou mil soluções para supostos problemas. Com a MoNA, quero desconstruir a funcionalidade da maquiagem como uma ferramenta de correção, de aperfeiçoamento e de um modelo de beleza. Por isso, a minha pesquisa é voltada para desenvolver produtos que sejam coloridos, acessíveis, sustentáveis e plurais”.

Além disso, a moça reforça que o movimento estético, ainda que seja fruto de apropriação de outras culturas ou que só foque, por exemplo, no padrão eurocêntrico da moda, faz parte de um ato político. “Porém, espero que tenhamos cada vez mais atenção à produção nacional e às suas individualidades para que possamos crescer como uma indústria criativa autônoma”, diz.

Adepta da filosofia do músico Frank Zappa, que se dizia influenciado até por aquilo que não gostava, e profundamente inspirada por aqueles que lhe fazem companhia, ela tem paciência e entusiasmo para aguardar o momento certo de ser feliz. “Talvez a colheita fique para depois de amanhã ou só para o ano que vem. O que é urgente agora é curar o solo!”