Kelly Amorim – Foto: Divulgação

Ela é a sexta de uma família de sete filhos. Seu pai começou em Brasília, foi para ajudar a construir a cidade, e acabou sendo um grande empreendedor, assim como os filhos, que seguiram os passos do pai e empreenderam. Kelly Amorim – o nome não é coincidência, ela é irmã da designer de joias Carla Amorim – se formou em administração no Brasil, mas cursou sua pós-graduação em Harvard, nos Estados Unidos. 

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Voltando dos EUA, foi trabalhar em Campinas em uma empresa do pai, de agronegócio, o que não era sua praia, mas lá ela deu duro e aprendeu muito. Disposta a empreender, Kelly decidiu vender um apartamento que ganhara do pai – todos os filhos tinham direito a um – para dar início ao próprio negócio. Como já estava há um ano trabalhando com Carla, apenas como irmã, foi na marca Carla Amorim que ela decidiu investir o dinheiro de seu imóvel. “Eu queria empreender, e pensei que um apartamento eu poderia comprar depois”, explica. “À época, a Carla tinha só uma loja em Brasília, e abrimos uma em São Paulo”, completa.

Determinada, Kelly passou a organizar toda a parte administrativa da empresa da irmã, cuidando de marketing, finanças, contábil, comercial, jurídico, tudo, enquanto Carla se aprofundava em criar as coleções. Juntas, fizeram valer a parceria, montaram seis lojas pelo País – duas em São Paulo, e uma no Rio, em Belo Horizonte, Recife, além da pioneira, em Brasília.

Mais que um negócio, as irmãs se preocupam com a qualidade das gemas que compram, portanto, sustentabilidade é um ponto fundamental. É preciso ser certificada e obedecer a cadeia de rastreabilidade para que assinem embaixo depois que o produto está pronto. Não à toa, a joalheria Carla Amorim tem reputação que conquistou e uma clientela fiel. “A sustentabilidade entra em um processo de conscientização de todos nós. Eu acho que as preocupações vão se dando no passar do tempo”, diz. “Existe uma discussão bastante pertinente porque no mundo da joalheria, especificamente do diamante, eles são muito organizados, porque são grandes. Nas outras pedras, há mais fragmentação, muitas [minas] são familiares, às vezes, não têm nem essa formalidade. Ou seja, não dá para exigir de uma mina pequena na Paraíba que eles tenham a mesma certificação das grandes”, completa – o que não significa que não dê para visitar tais locais e verificar como é feita a captação das pedras.  

Kelly explica que se você não se adaptar às regras que vão se apresentando, está excluído do mercado. “Com isso em mente, os pequenos mineradores foram se organizando. Existe um movimento mundial que está estabelecendo marcadores para as pequenas minas para que elas consigam cumprir na medida que for possível todas as práticas.”

A empresária ressalta que a falta de tecnologia, às vezes, é um problema. Kelly conta que as principais feiras do setor no mundo é em Tucson, no Arizona, Estados Unidos, e em Hong Kong, na China, não aqui, onde há tantas preciosidades. “A gente exporta tudo bruto, porque não temos indústria, a gente não tem tecnologia, apoio para o setor. Ou seja, exportamos tudo bruto, os outros lapidam lá fora e a gente importa tudo o que é nosso. 

Mas falando na empresa Carla Amorim, Kelly é direta quanto à sustentabilidade. “A Carla Amorim chega como um player deste mundo que está se organizando e que tem realizado os melhores esforços para poder trazer para sua cadeia as melhores práticas na produção de joias. Isso porque temos consciência ambiental e queremos poder crescer sem ter telhado de vidro. Queremos nos associar a coisas positivas. O mundo está caminhando para uma mentalidade de responsabilidade social, ambiental. Então, seja por convicções nobres, seja porque você quer estar no mercado daqui a 10 anos, é melhor aderir a essas práticas.”

Para o futuro, Kelly enxerga longe, mas com cautela. As irmãs têm, sim, o desejo de abrir mais lojas pelo Brasil, mas sem pressa, sobretudo em tempos de pandemia, em que lojas tiveram que ficar fechadas. “Eu desejo ter um ano inteiro sem loja fechada, poder continuar atendendo várias praças do Brasil, continuar fazendo as minha viagens de trunk shows, e pensar em joia como alegria, continuar expandindo. Queremos aumentar o número de lojas, mas não com pressa. O Brasil precisa estar pronto para receber mais lojas, o País tem que nos acompanhar economicamente”, finaliza.