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Parar? Jamais! Aos 93 anos recém-completados, Laura Cardoso é uma das atrizes pioneiras da setentona televisão brasileira e não tem qualquer plano de abandonar a telinha. Começou na extinta TV Tupi, em 1952, com incursões pelo teleteatro e telenovela. “No início da carreira, que já faz muito tempo, havia muito preconceito com mulher de rádio, teatro e de televisão. Mas depois foi passando e hoje as pessoas estão mais esclarecidas, veem as coisas de uma outra maneira”, relembra.

“Sempre fui feminista e sempre defendi os diretos da mulher. É uma obrigação nossa.” E, assim, aprendendo e ensinando as mais diversas gerações, ela se mantém sempre atual, sem saudosismos, com um desejo de sempre seguir em frente.

Atualmente, Dona Laura – como é chamada pelos amigos – vive Veridiana na edição encurtada de “Flor do Caribe” (2013), reexibida pela Globo enquanto as gravações das novelas seguem suspensas para os mais velhos e a passos vagarosos e com todo o cuidado para outros núcleos. “Amo estar perto dos meus colegas e diretores”, lamenta por ainda não poder voltar a essas pessoas, que fazem parte da sua vida dentro e fora das telas. Quando a pandemia foi decretada, tinha planos de ir para a Europa, visitar Portugal e Espanha, mas eles foram postergados.

Laura sabe da importância do isolamento, mas não se sente aprisionada. “Prisão é uma das piores coisas do mundo. A maior dificuldade é ficar só, é o afastamento das pessoas”, pondera. Passa a quarentena na companhia das filhas Fátima e Fernanda [ambas de sua união com o ator e diretor Fernando Balleroni, falecido nos idos de 1980], das netas Claudia e Adriana e do bisneto Fernando, em São Paulo.

Os livros têm sido sua rota de fuga. Leu “O Avesso da Pele”, de Jefferson Tenório, “O Escândalo do Século”, de Gabriel Garcia Márquez e “Não me Abandone Jamais”, de Kazuo Ishiguro.”“Sempre arranjo tempo para assistir à televisão, gosto muito, e ela é o grande veículo das notícias”, diz.

Na vida pessoal e no trabalho, Laura foi uma mulher que realizou sonhos. “Maior legado que nós atores podemos deixar, é a responsabilidade com o seu trabalho, o seu meio, o respeito com o seu colega.” Deseja às pessoas um pouco mais de fé, esperança e amizade – coisas que não dá para comprar.

Bastante lúcida, poucas coisas têm feito ela rir nesse momento. “Está tudo muito confuso e conturbado, a gente fica sem um pensamento claro.” Para a veterana, a experiência conta. E muito. “Se o idoso está bem, de pé e consciente, tem que ter oportunidade.”