Foto: Nicolau Spadoni

por Thayana Nunes

A grande estante repleta de livros logo na entrada do apartamento paulistano de Luísa Duarte já entrega sua paixão pelos estudos. Mestre em Filosofia, ela acaba de concluir um doutorado em Teoria da Arte pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e está com o tema na ponta da língua: como pensar arte em um momento quando há uma presença massiva de tecnologia no cotidiano, em uma era marcada pelo déficit de atenção e degradação do sono.

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Ela conta, orgulhosa, sobre a tese, mas não deixa de se incluir nesse cenário: “Sofro todos os sintomas sobre os quais estudei e estou falando”, diverte-se. “Não dá para lutar contra. O que é preciso é desacelerar e abrir um espaço para a introspecção.”

Crítica, curadora e ex-colunista de arte do jornal O Globo, onde ficou por dez anos, Luísa é filha de um professor de História da Arte e cresceu cercada por artistas. Carioca, que agora adotou São Paulo como lar, tinha 20 anos e já circulava entre nomes como Matheus Rocha Pitta, Lais Myrrha e Adriana Varejão – que, aliás, apareceu de surpresa no apartamento de Luísa durante os cliques para Bazaar.

Ela foi fazer uma visita à amiga, que, no ano passado, organizou a exposição “Adriana Varejão – Por uma Retórica Canibal”, desta vez no Museu de Arte Moderna da Bahia – a primeira mostra foi em 2015, em Fortaleza.

Conversar com Luísa é descobrir um universo muito mais profundo sobre arte no Brasil, não só quais são as atuais apostas – dica: anote o nome de Marcela Cantuária –, mas, sim, como é importante conhecer a trajetória de cada artista, seu papel na sociedade e na cultura, claro.

Em 2018, por exemplo, ela organizou uma mostra sobre Tunga, a primeira grande exposição após sua morte, em 2016, com desenhos, esculturas, pinturas, textos e fotografias criadas desde 1975. “Tunga nos ensinou que todos nós temos uma sensibilidade para esse mundo dos sonhos, dos devaneios, e nos mostra como estar no mundo de uma maneira mais intensa, mais curiosa”, disse ela à época da divulgação.

Por falar em intensidade, Luísa celebra uma mudança significativa nos últimos anos: além do aumento da presença de mulheres escrevendo sobre arte e como curadoras, um papel, então, praticamente masculino, também caminhamos para um ambiente muito mais plural e democrático, com pessoas vindas de outras classes sociais.

“Antes vivíamos em um cenário extremamente elitista. Agora, vemos pessoas de todas as classes, com suas próprias vozes, poéticas, fazendo parte, como sujeitos ativos, no meio de arte. Isso é muito importante.” Ainda bem.

Quiz

Arte x Tecnologia: Em um mundo onde tudo se revolve em grupos de WhatsApp ou em um post do Instagram, a possibilidade de engendrar um pensamento mais vertical sobre algum artista torna-se cada vez mais importante.

Olhar de fora: O interessante de escrever e fazer curadoria é que, a partir do diálogo com vários artistas e poéticas, você vai alinhavando um pensamento seu.

Próximo Passo: Realizar desdobramentos da pesquisa de doutorado na forma de exposição e publicação

Bom da vida: Poder criar um campo de pesquisa que une teoria e fazer artístico capaz de nos fazer compreender melhor o mundo em que vivemos.

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