Mariana Fonseca – Foto: Reprodução/Instagram

Entrevistar a chef Mariana Fonseca é uma missão difícil para uma repórter. Ela é tão envolvente e tem tanta história para contar que fica difícil de dar apenas um rumo para o bate-papo. Encontramos com ela em um dos seus vários empreendimentos da culinária grega, o Kouzina do shopping Cidade Jardim, em São Paulo, e a conversa durou quase uma hora em meia.

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Formada em administração hoteleira, logo no primeiro ano Mariana se apaixonou pelo curso de alimentos e bebidas. “Ali eu já sabia o que queria fazer”, lembra. “Com 18 anos, já comecei a estagiar em cozinha. Fiz de tudo. Limpava chão, camarão, descascava batata. Foi um grande aprendizado”.

Mariana Fonseca com sua famosa Lula recheada com espinafre – Foto: Reprodução/Instagram

Depois ela foi trabalhar com Giancarlo Bolla, dono do grupo Leopolldo, que morreu em 2014, aos 73 anos. “Ele foi a minha grande escola. Eu passava em todas as casas do grupo para aprender a dinâmica e a cabeça do Giancarlo”. Depois desse intensivão, ela foi nomeada chef da cozinha do Leopoldina, na extinta Daslu. “Foi uma imersão muito intensa na cozinha, mas você aprende muito com o público de luxo. Aprendi a lidar com pessoas mais simples, que eram da minha equipe, até a PR que fala várias línguas”, diz.

Mariana começou a criar meus próprios pratos em 2002. Ela fazia uma cozinha contemporânea, feita com ingredientes brasileiros e um toque francês, quando essa linha culinária estava em seu auge.

“A Grécia surgiu quando me desliguei do grupo Leopolldo e decidi viajar. Eu tinha 24 anos e queria ir embora. Fui para a Grécia passar um ano sabático e por lá fiquei. Comecei a trabalhar em um restaurante de Mykonos e acabei ficando cinco anos por lá”, recorda sobre sua vida na ilha, rodeada de ingredientes frescos, pescados no dia ou plantado em hortas locais.

Entrada do Myk – Foto: Reprodução/Instagram

“Quando voltei ao Brasil e comecei o projeto do Myk. Meu objetivo por meio da cozinha, contar a minha história na Grécia, tudo que aprendi eu tentei trazer para o restaurante”, conta. A casa nos Jardins inaugurou em 2013, e foi um grande sucesso. “Eu trouxe para o Brasil uma comida grega contemporânea e moderna. Trabalho só com azeite, é uma proposta nova e leve de gastronomia”, aponta.

Kouzina do Cidade Jardim – Foto: Reprodução/Instagram

“A comida, o ambiente, o serviço: eu vendo um lifestyle, não apenas gastronomia. Meus restaurantes são brancos porque gosto de luz, gosto do sol entrando naturalmente, como é o Kouzina do shopping Cidade Jardim”, diz.

Com o tempo, por conta do cardápio inovador, críticos gastronômicos começaram a falar que o Myk não era 100% grego. “Então comecei o projeto de Kouzina, com uma cozinha mais de raiz, da terra, já que a cozinha do Myk é das ilhas gregas”. A primeira unidade abriu as portas em 2015, nos Jardins. O Kouzina agora tem casas em Pinheiros e também no CJ.

Fotiá – Foto: Reprodução/Instagram

Mas se você pensa que Mariana parou por aí. Espere por mais. No final de 2018 ela abriu as portas do Fotiá, na Padre João Manuel. “Sempre foi o sonho da minha vida. É a cozinha do fogo, em grelha de carvão. Ela tem quatro metros e todas as receitas saem de lá, até a salada. É uma cozinha simples e de produto. Para mim, ele coroou um trabalho de cinco anos”, comemora.

Entre os hits da casa estão a berinjela na brasa com mel e macadâmia, um peixe feito inteiro na grelha e a sobremesa de mascarpone. Mãe do pequeno Teodoro, ela diz que ficar grávida mudou sua vida. “A maternidade me deu uma certeza da chef que sou. Hoje sinto que faço uma gastronomia mais madura”, revela. E nós, que já visitamos todos os restaurantes da chef, concordamos!