Foto: Arquivo Pessoal

Por Matheus Evangelista

Gente boa e low profile, Marina Santa Helena não para um segundo – ainda bem! Basta olhar para o currículo da moça para entender qual é o significado da expressão “profissional multimídia”. Natural de Belém do Pará, Marina lidera discussões, especialmente no mercado de moda e da internet, desde os anos 2000.

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Já foi VJ da MTV Brasil e apresentadora do canal Mix TV. Curiosa de carteirinha, acumulou bagagem em produção de conteúdo e consultoria de estilo, e foi essa vontade de absorver o novo que a alçou para um cargo, digamos, brand new: diretora de conteúdo de uma startup de podcast, a Orelo.

Foi via Zoom que Marina relembrou seu primeiro contato com um podcast, na época, algo ainda pouco explorado no Brasil. “Eu me lembro que já ouvia falar de podcasts de cultura nerd e de games. Mexendo nos meus e-mails, encontrei o registro de um workshop sobre isso que fiz em 2009 e a ideia era aprender um novo formato de mídia. Foi a partir daí que comecei a descobrir alguns de cultura pop, educação e ciência”, conta ela.

“A possibilidade que um podcast representava me despertava interesse, era mais um formato a ser explorado, em um momento em que não havia integração com o celular ou similar; era difícil ouvir e encontrar pessoas que se interessavam por essa novidade”, relembra Marina.

Em 2013, ela conheceu Samir Duarte e Phelipe Cruz e, um ano depois, os amigos colocaram de pé um podcast próprio que é sucesso absoluto: o “Um Milkshake Chamado Wanda”. O trio se inspirou no filme “Um Peixe Chamado Wanda”, dos anos 1980, para nomear o projeto, que é debochado e atemporal, e que, em 2019, ganhou o prêmio de Melhor Podcast do Ano no MTV Millennial Awards Brasil.

Marina assumiu o cargo em março, mês em que a pandemia fechou as fronteiras do mundo e nos prendeu dentro de casa. A realidade serviu de impulso para começar a praticar, afinal, seu trabalho é observar oportunidades e entender onde é possível desenvolver o mercado de podcasts e trazer essa ferramenta para o dia a dia de mais pessoas.

“Começamos a ter uma rotina à distância e eu sou a responsável por conversar com podcasters para criar novos projetos ou capitalizar em cima de ideias já existentes”, conta. “Apesar de termos muitos podcasts surgindo, ainda há a necessidade de alguns nichos específicos, como saúde mental e autoconhecimento”. Entre as tendências identificadas por ela, estão no radar os de ficção, uma espécie de radionovela, muito comum no Brasil do século passado.

E como ela enxerga o futuro dessa plataforma? “É como aquela expressão, uma pessoa só é famosa se sua mãe ou sua avó a conhecem. Eu digo que podcast é a mesma coisa”, diverte-se. “Precisamos popularizar, não ser uma coisa de nicho, para poucos. Isso acontecendo, podemos dizer que cumprimos nossa missão de criar e disponibilizar conteúdo de qualidade para todos”, explica Marina.

Pós-graduada em moda, ela também é consultora de estilo e alimenta quase semanalmente o podcast “Estilo Possível”, no qual fala de assuntos que vão de comportamento a tendências. “Precisei dar uma pausa no começo da pandemia, sem desfiles, sem tantas novidades, e só agora as coisas, aos poucos, estão voltando ao ‘normal’. Ainda estamos tateando muito, espero que todos tirem uma lição, afinal, estamos vivendo um momento de crise que vai se estender para os próximos anos e, nesse ponto, ou você se reinventa ou fica para trás”, analisa Marina.

“Sou uma observadora, estou tentando entender o mundo, e vejo que existe um progresso social no lugar do privilégio. A imagem de moda agora é outra, mais consciente. Os valores também, e tudo vai além de uma capa de revista. Enxergo isso como o norte atualmente, esse viés é o que importa”, resume ela, que está fazendo mestrado de moda e têxtil na USP para tentar decifrar o que o futuro nos reserva. “Estou estudando o que as pessoas estão consumindo e por que, para entender o impacto de tudo isso. Essas motivações de compra podem revelar muito das pessoas hoje em dia”, finaliza. Mais upfront, impossível.