Mulheres que inspiram: Nadia Murad e a luta contra a violência sexual

A iraquiana percorre o mundo para contar sua história, para que ela não se repita

by Beatriz Poletto
Malala e Nadia Murad - Foto: Reprodução/Instagram/@nadia_murad_taha

Malala e Nadia Murad – Foto: Reprodução/Instagram/@nadia_murad_taha

“Mulheres que Inspiram” traz nesta segunda-feira (12.08) a história de Nadia Murad. Ganhadora do Prêmio Nobel em 2018, a jovem nasceu em Kojo, no Iraque. Ela é da etnia Yazidi, uma minoria religiosa no país. Em 2014, aos 19 anos, seu vilarejo sofreu um ataque do Estado Islâmico. Eles mataram 600 pessoas, incluindo sua mãe e seis de seus irmãos e sobrinhos. Nadia e outras mulheres foram sequestradas e submetidas a espancamentos e estupros.

Mas, três meses depois, Nadia conseguiu escapar. Ela fugiu para um campo de refugiados e teve a oportunidade de se mudar para a Alemanha, onde vive até hoje. Desde então, ela luta para ajudar mulheres e crianças que são vítimas de abuso e tráfico humano. A violência sexual e conflitos armados são crimes de guerra, que ameaçam a segurança e a paz.

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Nadia Murad ganhou o Prêmio Nobel ao lado de seu amigo, Denis Mukwege, que também tem trabalhado para ajudar vítimas da violência sexual. Em seu discurso, a iraquiana frisa a importância de sua luta: “eu espero que este dia seja o marco do início de uma nova era. Onde a paz é prioridade, e o mundo possa coletivamente começar a definir uma nova estrada para proteger mulheres, crianças e minorias da perseguição, em particular da violência sexual”.

O que aconteceu com sua família e povoado foi um genocídio. Ainda existem poucos Yazidis pelo mundo e a ameaça de aniquilação ainda existe. Em pleno século 21, em uma era de globalização e de direitos humanos, mais de 6,5 mil crianças e mulheres Yazidi foram capturadas e vendidas. Apesar de desde 2014 lutar pelos direitos dessas pessoas, são mais de 3 mil mulheres e crianças sequestradas pelo Estado Islâmico que sumiram. A luta continua.

Malala e Nadia Murad - Foto: Reprodução/Instagram/@nadia_murad_taha

Malala e Nadia Murad – Foto: Reprodução/Instagram/@nadia_murad_taha

Por quase quatro anos, ela tem viajado pelo mundo para contar sua história e a da sua comunidade. Ela participou da Conferência de Paz de Paris, que celebra o fim da primeira Guerra Mundial.

Além de lutar pelo fim da violência sexual, ela também luta pela educação, que é essencial para nutrir sociedades civilizadas, que acreditam na tolerância e na paz. “Precisamos investir em nossas crianças,  porque elas são o futuro”, diz Nadia em seu discurso. E as mulheres também precisam ter esse direito: “com essa voz podemos fazer mudanças fundamentais para a comunidade”.

Angela Merkhel e Nadia Murad - Foto: Reprodução/Instagram/@nadia_murad_taha

Angela Merkel e Nadia Murad – Foto: Reprodução/Instagram/@nadia_murad_taha

Nadia escreveu um livro sobre sua história e sua luta. “The Last Girl” foi lançado em 2017 e deve ser lido para entendermos sua trajetória e a importância de sua luta.

Foto: Divulgação

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