Natalie Portman - Foto: Getty Images
Natalie Portman – Foto: Getty Images

Uma manifestação não precisa ter violência, cartazes e nem mesmos gritos para ser efetiva ou passar uma mensagem importante. A moda é uma das fortes aliadas nos momentos em que precisamos criticar, apontar ou exaltar um movimento social, seja com uma estampa explícita ou uma imagem com uma mensagem discreta, mas não com  menos força. Isso é algo que acontece há séculos e, até os dias de hoje, pode ser uma ferramenta essencial para o feminismo, direitos LGBTQ+ e na luta contra o racismo.

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Foi por este caminho que Natalie Portman ergueu uma bandeira fundamental na noite deste domingo (09.02), durante a cerimônia do Oscar: a falta da inclusão de mulheres em categorias técnicas, no caso, a baixa representatividade nas indicações de “Melhor Direção”. Usando um elegante modelo da Dior, a atriz carregou com si o nome de diretoras que não foram indicadas à categoria, que só teve cineastas homens.

Mulheres como Lulu Wang (“A Despedida), Greta Gerwig (“Adoráveis Mulheres”) e Lorene Scafaria (“As Golpistas”) atravessaram o red carpet junto com a atriz em pequenos broches dourados, que ganharam destaque na capa preta. Nos 91 anos de existência da premiação, apenas cinco mulheres concorreram à categoria e apenas Kathryn Bigelow levou o prêmio para casa, pelo seu trabalho em “Guerra Ao Terror”. 

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Mas esta não é a primeira vez que a atriz levanta esta bandeira. Em 2018, ao entregar o prêmio de “Melhor Diretor” no Golden Globes, Natalie Portman aproveitou para criticar – novamente de maneira discreta – o fato de todos os diretores serem homens. Nesta mesma premiação, as mulheres atravessaram o tapete vermelho vestidas de preto como parte do movimento “Time’s Up”, do qual Natalie faz parte das artistas fundadoras e que denunciava diversos casos de assédio sexual na indústria cinematográfica.

Desde então, a atriz é figurinha confirmada em manifestações e protestos que lutam contra a falta de representatividade feminina no entretenimento, além de batalhas contra assédio sexual, incluindo as denúncias contra Harvey Weinstein. Nascida em Israel e radicada nos Estados Unidos, Natalie Portman também defende os direitos dos imigrantes e foi capa de diversas publicações ao negar um prêmio de US$ 1 milhão devido ao fato de Israel ter usado táticas letais durante confrontos palestinos na faixa de Gaza.

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