Mulheres que inspiram: Nidhi Sunil e a luta contra o infanticídio feminino na Índia
Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Advogada, modelo, ativista, atriz… Esses são apenas alguns dos termos que podem ser usados para descrever Nidhi Sunil, a indiana de 33 anos que tem ganhado destaque no mundo da moda e que acaba de ser anunciada como nova porta-voz global da L’Oréal Paris.

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Nascida em Kerala, na Índia, a modelo se formou em Direto e atuou no ramo ambiental, mas, em 2011, deixou a carreira de advogada para dedicar-se ao universo da moda. Enquanto estrelava capas das principais revistas internacionais, também passou a se dedicar às produções de Bollywood e fez sua estreia no cinema em 2013.

Conforme sua carreira artística decolava, Nidhi Sunil aproveitou seu alcance maior para falar sobre assuntos que lhe atravessam pessoalmente, incluindo questões raciais e de gênero. “Defendo que quando falamos de nós mesmos, devemos acreditar em todo o nosso sucesso, mesmo que os outros digam o contrário. Para mim, a beleza está no poder de nossas vozes e também se reflete em nossa presença aqui neste mundo. Cada história é digna para ser ouvida. Nosso valor é um direito inato”, afirma.

Situações de bullying na faculdade, ataques racistas na internet e na indústria da moda e do cinema reforçaram a vontade e a força da ativista em falar sobre questões sociais. Recentemente, Nidhi participou como palestrante do festival global “Women of the World Teen Summit: No Shade”, em que debateu assuntos relacionados a colorismo.

“Meu senso de autoestima foi moldado pelas minhas lutas. Há uma encruzilhada para qual a vida leva todos, onde você percebe que você pode ser criativo com a maneira como molda sua identidade ou permitir que a cacofonia escolha por vocês. Acho que tive muitos momentos cruciais como esses. Em algum momento, você se cansa de não escolher você mesmo e então apenas faz”, analisa a modelo.

Nidhi acrescenta que sempre sentiu que sua aparência é parte de sua herança ancestral e que a reijeição que o mundo exterior estava refletindo nela, a fez se agarrar ao seu visual com mais força.

“O único conselho que dou para qualquer pessoa é para que seja verdadeiro consigo mesmo em qualquer momento. E isso não quer dizer que quem você é não mude e se adapte com o tempo, mas que nós sempre sabemos quando estamos vivendo em nossa integridade pessoal e quando não estamos. Isso é obviamente uma coisa difícil de fazer porque às vezes significa nadar contra a maré; mas é muito libertador se inclinar para o doloroso e descobrir que você não é frágil”, acrescenta.

Projeto social

Mulheres que inspiram: Nidhi Sunil e a luta contra o infanticídio feminino na Índia
Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

A ativista foi além e passou a se dedicar a um assunto de extrema importância mundialmente: o combate ao infanticídio feminino na Índia. Embaixadora e membro do conselho consultivo da ONG  Invisible Girl Project, Nidhi trabalha contra a discriminação de gênero sexual, negligência e violência desproporcional.

“Invisible Girl Project é um projeto sem fins lucrativos com sede em Chennai, no sul da Índia. Ele foi fundado em resposta à crise contínua de infanticídio feminino na Índia e tem parceria com abrigos que fornecem um lugar para garotas que foram abandonadas por suas famílias por causa de seu gênero. Além disso, recolhe bebês do sexo feminino que estão sob ameaça por serem mulheres. Existem atualmente 425 meninas sob seus cuidados. Um número pequeno, mas é um começo”, conta a ativista.

Nidhi brinca que acha que tem um complexo de salvador e que deseja salvar o mundo e todos neles. Mas que seu principal foco é melhorar as condições para garotas indianas, local onde ainda é um grande problema nascer ou dar luz a uma mulher.

“Como uma geração, sinto que estamos em uma posição única de sermos capazes de contornar os obstáculos tradicionais até certo ponto e fazer nossas vozes serem ouvidas. Ao mesmo tempo, estamos herdando um um planeta que precisa de muita empatia e cuidado se queremos um lugar melhor para morar.”

Empoderamento

Mulheres que inspiram: Nidhi Sunil e a luta contra o infanticídio feminino na Índia
Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

“Qualquer pessoa que não seja feminista no mundo ocidental em 2021 precisa ser reeducada”, avisa Nidhi. “As bibliotecas estão cheias de livros repletos de questões que milhões de mulheres encaram ao redor do mundo – desde mal ter controle sobre sua segurança física e sobrevivência em alguns lugares a sofrer descriminações e ter a maternidade estigmatizada em outros. Podemos organizar campanhas, educar as gerações mais novas de forma diferente e eles contribuirão para lentamente destruir a desigualdade persistente e generalizada que existe.”

Para a modelo, esta não é a única forma de mudar o mundo. Nidhi também acredita que todos temos o poder, como indivíduos, de afetar a mudança em nosso mundo imediato de forma mais direta.

“Qualquer um de nós que tenha o privilégio de não ter que se preocupar com sua segurança física ou nossas necessidades e que sua liberdade de expressão lhe seja concedida tem a obrigação de questionar por que temos as opiniões particulares que temos e investigar os motivos por trás de nossas ações. Frqeuntemente descobrimos que nossas perspectivas são emprestadas. Encontrar a audácia de agir de um lugar intensional é institivamente empoderador e inspirador para qualquer um que tenha contato conosco”, completa.

Quando questionada sobre as mulheres que a inspiram, Nidhi afirma que qualquer uma que vive do coração. “Qualquer uma que tenha encarado desafios e saído do outro lado maior, mais conectado com seus instintos e à autoconsciência de que sua vida é sua própria inspiração são inspiradoras para mim. Entre as mulheres da Família L’Oréal existem várias que me inspiram, como Viola DavisHelen MirrenJane Fonda e, é claro, Aishwarya Rai“, finaliza.