Mulheres que Inspiram: Rachel Maia é CEO da Lacoste Brasil

Ela teve uma infância pobre na periferia de São Paulo, quando ajudava a mãe a fazer faxina, até a bem-sucedida carreira empresarial

by Luciana Franca
Rachel Maia veste Lacoste - Foto: Divulgação

Rachel Maia veste Lacoste – Foto: Divulgação

Em sua prateleira imaginária de ídolos estão Nelson Mandela (“um degrau acima”), Barack Obama e Oprah Winfrey. No aparador real de sua sala de estar, a executiva Rachel Maia ostenta uma bonita foto ao lado do ex-presidente americano, tirada no ano passado, quando ele esteve no Brasil para palestrar a convite de um banco.

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“Obama posou com poucas pessoas, umas 12. Ele entendeu que existia a necessidade de estar na foto com alguém que representasse a diversidade e a inclusão. E me escolheu. Foi uma coisa louca, meu nome indo e voltando no FBI, foi profundo. Meu nome está nos arquivos do FBI”, diverte-se. “É um líder, um estadista que admiro imensamente. Assim como eu, ele tem essa pegada de olhar pessoas.”

Hoje, a executiva assumiu a direção da Lacoste no Brasil, e também está escrevendo sua biografia. A trajetória da infância pobre na periferia de São Paulo, quando ajudava a mãe a fazer faxina, até a bem-sucedida carreira de CEO promete ser mais do que uma inspiração.

“Preciso compartilhar tudo o que aconteceu na minha vida, em especial com mulheres que gostariam de entender diversidade e inclusão de forma prática. E com muitos homens que querem aprender a como ser inclusivos com as mulheres, porque isso é uma questão cultural. E como fazer essa transformação? Não é tão simples, não é do dia para a noite. Temos de exercitar.”

Rachel é mãe de Sarah Maria. A menina esperta, que se divertiu naquela tarde de entrevista em sua sala bancando a assistente do fotógrafo com o rebatedor de luz, tem na mãe um grande exemplo. É nela que se inspira na hora de comer de forma mais saudável e até de se posicionar no mundo.

“Deixo claro que ela é uma minirrepresentante da diversidade dentro de uma sala de aula em que é a única parda, a única de cabelo crespo. É muito importante dar essa autoconfiança. ‘Você é única, isso é lindo, mas é maravilhoso para seus amigos terem essa representatividade dentro da classe. Você não pode ficar com vergonha quando apontarem para você e disserem que é diferente. Isso não deve te trazer vergonha, pelo contrário, isso deve te enaltecer.’ São falas diárias”, conta.

Da mesma maneira, ela não esconde e nem tenta disfarçar da filha algumas cenas de preconceito, como a vez em que estavam saindo de carro juntas do condomínio onde moram, em São Paulo, e Rachel foi interpelada por alguém questionando o que fazia num carrão. “Tem de ser escancarado para ela. Aconteceu, é verdade, e vai acontecer outras vezes. Só que você tem de se fortalecer. Não é você que está errada, é ele que está errado, que tem dificuldade de entender a diversidade.”

Do alto de seu 1,83m, mais o salto alto de que não abre mão, conta que é vaidosa e gosta de estar sempre bem. Prova disso são suas fiéis escudeiras, a maquiadora Camila White e a visagista Solange Dias, que trabalhou com Naomi Campbell.

Ela se ocupa com o programa “Capacita-me”, projeto idealizado por ela com o Senac, que já formou a primeira turma de 38 alunos carentes para ingressar no mercado varejista; e com palestras, que sempre deu, para até 10 mil pessoas.

Boa comunicadora, toparia ter um programa de TV? “As pessoas estão carentes de heróis. De repente, ser uma representante da diversidade pode me colocar nesse papel. Não estou completamente fechada, mas sei que ainda tenho vida dentro do universo corporativo. Who knows?”, brinca com a possibilidade de ser comparada a Oprah.

E por falar nela, a apresentadora e empresária americana pode fazer parte do aparador real de Rachel em breve. Amigos estão se mobilizando para marcar um encontro entre essas duas grandes mulheres.

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