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Do universo das plataformas digitais, ela entende como poucos. Decifra comportamentos, antecipa tendências e traduz narrativas das mais diversas. Não por menos, Samantha Almeida, de 39 anos, construiu sua própria plataforma, um pouco por obra do acaso: “Como estilista, sou uma ótima comunicadora”, brinca Sah, como é conhecida, sobre sua transição profissional do mundo da moda, no qual é formada, para as plataformas digitais.

Entender a demanda do público e traduzi-la em conteúdo já fazia parte do seu trabalho no início de carreira em uma grande empresa americana. “Tinha o trabalho de importar roupas, precisava entender quais eram os pontos de intersecção entre o desejo do consumidor brasileiro e a escolha das peças. Depois que elas chegavam, precisava planejar como embalar aquilo com a nossa cara. Então brinco que, na época, já fazia social”, diz.

Quando finalmente passou a se dedicar à comunicação, nos anos 2000, deparou-se com o início das redes sociais, ferramenta perfeita para o seu dom de interpretar comportamentos. “Vi as influenciadoras hoje consagradas nascerem. Foi natural que eu buscasse nelas parcerias para a amplificação da mensagem de uma marca. Foi tudo muito orgânico, porque não tínhamos uma fórmula pronta. Conforme íamos percebendo como as pessoas reagiam, fomos entendendo que havia uma técnica por trás: narrativas aproximam pessoas e há maneiras de contar histórias dentro das redes sociais”, analisa.

Representatividade

Depois de trabalhar como diretora de planejamento e inovação digital da Music 2/Mynd e como head of content da Ogilvy Brasil, Samantha assumiu a diretoria do Twitter Next, área que analisa o comportamento das pessoas na rede social e oferece conteúdos patrocinados mais assertivos.

Com uma visão otimista do momento atual, a diretora afirma que seu papel é encontrar as melhores pessoas para preencherem as lacunas observadas por marcas que visam aumentar sua representatividade. “Ser uma mulher negra e periférica me atravessa. Então absolutamente tudo o que fizer na minha vida, qualquer lugar profissional, qualquer posição que eu esteja sempre vai ser atravessado pela minha vivência. Acho interessante pensar que o que sou, de alguma forma, representa a maioria do País, que é negra, mulher e/ou periférica”, afirma.

“É bastante sintomático que seja necessário que hajam pontes entre grandes espaços, empresas e marcas com a maioria da população. Fala muito mais sobre a sociedade, os acessos, a educação do que exatamente a minha própria posição. O ponto principal é que o que estamos dizendo é que precisamos conectar realidades. As redes, a velocidade das informações, os novos acessos e como eles tem alcançado as pessoas fez a gente entender que nós não estamos separados, em mundos diferentes. Fazemos parte da mesma realidade e estamos sendo impactados de formas diferentes pelas mesmas coisas. Precisamos entender juntos como vamos achar conexões profundas que coloquem todos nós dentro do mesmo lugar”, diz Samantha.

A diretora não acredita que sua presença dentro de um espaço é determinante para que ele se desconstrua e seja revisitado, mas que é um passo nesta trajetória que já estava sendo traçada por pessoas que vieram antes dela e que é uma porta aberta para o futuro das que virão depois. “É uma responsabilidade muito grande em ter clareza de que quero colaborar para construir lugares que sejam saudáveis, empáticos e que sejam mais possíveis não só para diversidade e representatividade, mas para pessoas como eu”, acrescenta.

“Por isso o que digo é: tem uma grande responsabilidade, mas também tem uma grande confiança de que se existe um momento, um lugar para fazer as coisas funcionarem, as coisas certas, esse momento é o agora. E eu fico bem confortável que seja na nossa vez”, finaliza.