Thayná Trindade – Foto: Arquivo Pessoal

De olho na ancestralidade africana e na cultura afro-brasileira, a designer de joias Thayná Trindade encontrou inspiração para abrir a grife Uzuri. Sem bagagem no universo dos negócios, ela iniciou a trajetória como a maioria: com uma excelente ideia na cabeça e quase nenhuma estrutura.

“Comecei a empreender em dezembro de 2014, quando fiquei desempregada e me tornei mãe. Então, pensei nos acessórios que eu gostava, e não havia nada no mercado que pudesse concorrer com aquilo. Fiz as primeiras peças focadas no equilíbrio entre o exagero e o glamour, fugindo da mesmice, e as pessoas se interessaram. Isso foi o que me motivou a criar a empresa. Mas só depois de seis anos de muita dedicação conquistei um ponto físico. Antes disso, toda a produção e gestão eram feitas dentro da minha casa, no meu quarto”, conta.

Mesmo no caminho certo, ela sabe que ainda tem chão para trilhar e obstáculos de sobra para desviar. “O baixo potencial de investimento pessoal e o difícil acesso ao microcrédito e aos investimentos externos são problemas frequentes. Além disso, a população negra é a que mais empreende e a que menos fatura. Empreendemos para a nossa subsistência, mas até chegarmos ao ponto de perceber o próprio negócio como fonte de renda, demora um tempo. Ainda enfrentamos a desvalorização dos nossos produtos e o ingresso restrito aos nichos de mercado. Empreender como pessoa negra é enfrentar uma guerra diária para não desistir. Mulheres e homens brancos já empreendem tendo um capital para investimento e com menor tempo para obter crescimento, infraestrutura e estabilidade no mercado.”

Perguntada sobre o conselho que daria às jovens empreendedoras, Thayná é categórica: “Apenas comece com o que vocês têm. Inspirem-se umas nas outras, mas não se comparem.”