Por Michael Koellreutter

A história é conhecida: Maria Helena e Isaac, então maestro da Orsquestra Sinfônica Brasileira, se apaixonaram quando ela ainda era casada com um dos diretores da OSB. Juntos, deram o maior impulso da história da orquestra. E a melhor forma de entender o bem-sucedido modus operandi dos Karabtchevsky é entrando na mansão do casal, no Alto da Gávea, no Rio de Janeiro. Afinal, dali quase não saem. Os três andares correm de cima para baixo. No primeiro, silêncio absoluto: duas grandes salas, incluindo a de jantar, e uma cozinha com vista panorâmica para a Floresta da Gávea. No segundo, metade do espaço foi transformando nun aquário, com vidro à prova de som, a onde o maestro passa o o dia o dia às voltas com suas partituras, batuta e instrumentos. O aquário isola Isaac do sim e, ao descer as escadas, ouve-se interminavelmente a voz de Maria Helena comandando seu espetácilo. Ali, ela ala cm patrocinadres, antes, músicos, agências de publicidades, imprensa. Ela reina absoluta!

É nesse terriório, sob sua mão de fero, que se fazem os grandes neócio. Foi ali que a OSB teve seus melhores momentos, mas que também foram tomadas as randes decisões, como a própria saída da orquestra, quando Isaac recebeu o convite, em 1988, para ser o titular da Orquestra Tinkünstler, de Viena, iniciando uma brilhante carreira internacional. Seu contrato terminou em 1994 e, um ano depois, já estava no teatro Le Fenice, em Veneza, onde desenvolveu um lado importante de sua vocação, a ópera. “O Isaac ficou 26 anos na OSB”, diz. “Durou muito, geralmente, um maestro titular permanece, no máximo, dez anos. Estava na hora de ele abrir novos horizontes”, diz Maria Helena. Ele completa: “Concluí essa fase prometendo a Maria Helena que não voltaria a ser titular. Mas ainda aceitei, na França, o convite para dirigir a Orchestre National des Pays de la Loire e as Óperas de Nantes e Angers”. O casal está montando uma casa em Nantes, mas a vida nômade deve aumentar. Além de tudo, ele dá aulas no Lago de Garda, em Riva del Garda, na Itália.

Qual a receita de amor? “Em 30 anos, nada mudou. O Zinho (apelido pelo qual é chamado na família) continua deixando bilhetinhos apaixonados quando sai para ensaiar, e é capaz de ficar horas sem se mexer, apenas por eu estar no colo dele”, conta. Isaac acrescenta:“Mas o carinho é algo resultante.A primeira coisa que se impõe, além do amor, é o respeito e uma amizade que se revigora a cada dia. Sem esses fatores, o casa- mento se torna uma relação com prazo de validade”. Sobre a perda da filha Ilana, de 11 anos, vítima de leucemia, Maria Helena diz: “Ela foi um presente que nos foi tirado, mas que representa alguns dos melhores momentos de nossas vidas. Nos trouxe exemplos de coragem e aceitação; morreu bem jovem, mas nos revelou que, apesar do sofrimento, a vida tem sentido quando impregnada de amor”.

Quando está no Brasil, um dos hobbies de Isaac é a pesca de atum, aos sábados, sempre ao lado da companheira de mais de três décadas. Da lancha Princesa Ilana, assim batizada em homenagem à caçula, o maestro sempre traz enormes atuns de presente para as outras filhas, Luciana e Tetê. Além da sagrada pesca, estão os jantares – sempre cedo – em restaurantes japoneses, os jogos de cartas e as sessões de filmes (quase sempre blockbusters) em casa, programas feitos a dois. Mas nada se iguala à paixão de Zinho pela criação de aves coloridas no imenso viveiro junto à piscina de seu jardim, ao lado do quarto. Isso nem Maria Helena consegue controlar. Seu último feito foi a compra, na Itália, de uma cacatua, com passaporte e tudo, que com ele viaja pelos países onde se apresenta. “Quando vi o preço, quase caí para trás”, conta ela. E ainda deu um trabalho danado para levar para a casa da Lucinha, que, assim como Tetê, não gosta de animal em cativeiro. Lucinha, hoje casada com o talentoso joalheiro Alfredo Grosso, morou alguns anos em Merano, Itália, quando os pais estavam mais fixos por lá. Fora as aves e fora do palco, fique claro que a batuta é de Maria Helena. Dela e de mais ninguém!