Por Fernanda Branco

A mulher madura por trás da figura doce de Fernanda Piva de Albuquerque Vidigal jamais passaria despercebida. Casada há nove anos com o empresário Luis Fernando Vidigal, mãe de três lindas meninas – Nina de seis anos, Maria de quatro, e Julia de 8 meses -, Fernanda abriu as portas de sua morada paulistana e nos recebeu com a destreza de uma anfitriã de primeira.

Em um terraço ladeado por um jardim florido e ensolarado, ao sabor de um caprichado bolo de limão caseiro, recapitulamos sua trajetória na moda, assunto que vem desde o berço da jovem empreendedora.

Os anos de sucesso à frente da Pollignanno Al’Mare, marca de sapatos que criou ao lado da irmã Juliana em 2003, marcaram época em São Paulo, graças às criações luxuosas da label – na medida do estilo das garotas paulistanas de fino trato.

A afinidade com a criação começou logo cedo: “Vivemos nossa infância na fábrica de sapatos e acessórios da minha mãe (Ana Rita Piva de Albuquerque)”. A marca foi vendida pela dupla em 2009: “Quis dar uma pausa e me voltar para família”, explica. Mas, na melhor expressão do ditado “bom filho à casa retorna”, não demorou muito para que Fernanda regressasse ao métier que a consagrou.

Numa parceria com Adriana Pelosini Moreira, amiga de longa data que pertenceu à afiada equipe do shoemaker Alexandre Birman, acaba de nascer a Cruise, uma consultoria de estilo dedicada às marcas brasileiras de moda.  “Trabalhamos em várias frentes: desde a criação de produtos à estratégias de branding e projetos de visual merchandising.”

Apesar do novo ritmo profissional, Fernanda confessa ser extremamente caseira, do tipo que adora pesquisar novas receitas para comer bem em casa e não abre mão dos almoços de domingo com toda a família. O bom gosto e perfeição de cada detalhe da casa onde vive, um projeto de Jorge Elias com décor by Sig Bergamin, são o melhor indicador dessa característica. “Estar em casa é um prazer. Gosto de manter a casa florida”, conta.  “Os móveis foram sendo incorporados aos poucos porque adoro comprar em viagens, antiquários e vendas especiais do tipo ‘família vende tudo.'”

Revestido com painéis de laca vermelha, cheio de detalhes e objetos orientais antigos, o ambiente favorito de Fernanda é a biblioteca, um espaço que revela outra predileção de sua proprietária: a chinoiserie. “A estética oriental tem tudo a ver comigo e é, sem dúvida, uma influência importante no meu trabalho de criação.”China, Tailândia e Índia, aliás, são destinos já desbravados por ela que está às voltas com os planos para sua próxima parada: Cingapura ou Marrocos.

A inspiração para se vestir, por sua vez, definitivamente vem de outro país: a França. “Penso nas minhas aquisições como investimentos a longo prazo. Compro com muito foco.” Seu guarda-roupa é feito da mistura calibrada de grifes clássicas como Chanel e Lanvin com peças do dress code jovem e edgy de marcas como Isabel Marant e a parisiense Sandro. “Sou super clássica, mas sempre procuro ousar em algum ponto, em especial, nos acessórios”, explica.

Um closet generoso é dedicado exclusivamente a esses tesouros: os sapatos que criou nos primórdios da Pollignano Al’Mare, as bolsas Hermès (devidamente guardadas em suas caixas), carteiras habilée e as dezenas de bijoux garimpadas mundo afora. Uma de suas lojas favoritas? A londrina Hirst Antiques, especializada em acessórios vintage.

Para enfrentar o cotidiano frenético na cidade, a palavra de ordem é equilíbrio. “Gosto de dormir e acordar cedo. Aproveitar o dia”, conta. “Faço exercício todos os dias da semana, e procuro trabalhar em casa o máximo possível para estar perto das crianças.”

Aos finais de semana, escapa para a fazenda da família próxima de Jaguariúna, no interior de São Paulo. Se fica na cidade, toma partido do que a capital tem de melhor, cultura. Teatro, cinema e concertos de música são o perfeito complemento para as tardes de leitura e dolce far niente vividos no terrace. Com olhar leve e sereno, Fernanda faz do seu entorno sua melhor fonte de inspiração.