Príncipe Bertil e Lilian – Foto: Getty Images

Por Li Lacerda

No último 26 de março, a família real sueca deu boas-vindas ao príncipe Julian Herber Folke, terceiro filho do príncipe Carl Philip e da princesa Sofia da Suécia. Ele é o oitavo neto do rei Carls Gustav e sétimo da linha da sucessão ao trono. Mas nem sempre foi assim. Na história recente da Suécia a falta de herdeiros quase pôs fim a uma das monarquias mais antigas da Europa por falta de um sucessor habilitado. E isso só não aconteceu por causa de uma mulher, a princesa Lilian da Suécia.

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Lilian May Davies nasceu na cidade de Swansea, no País de Gales, em agosto de 1915. Aos 16 anos, após a separação dos pais, ela se mudou para Londres onde começou a trabalhar como modelo e atriz em uma época em que a sociedade não era liberal. Casou- se ainda jovem com o ator escocês Ivan Craig, e meses mais tarde se alistou no Exército britânico para servir durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Trabalhou em uma fábrica para criação de peças de rádio para a Marinha real e em um hospital para veteranos de guerra.

Foi no período sombrio de guerra que em 1943 ela conheceu e se apaixonou por aquele que seria o companheiro de toda uma vida: príncipe Bertil da Suécia, terceiro filho do futuro rei Gustav Adolf VI e que servia como adido da Marinha Naval na embaixada da Suécia em Londres. Ainda casada com Ivan, e envolvida com um nome da realeza, o romance foi mantido secreto até Lilian se divorciar do marido, que retornou da guerra em 1945.

Bertil era o terceiro na linha de sucessão ao trono atrás de seu pai e seu irmão. Os outros irmãos haviam perdido o status de membro da família real ao se casarem com plebeus. Quando seu pai subiu ao trono em 1950, ele passou a ser o segundo na linha de sucessão, atrás de seu sobrinho pequeno, filho de seu irmão mais velho morto em um acidente aéreo em 1947. Com a probabilidade de Bertil ser convocado para assumir como regente do jovem príncipe até que o mesmo chegasse à idade adulta

para se casar e gerar um herdeiro, Lilian tomou a decisão de viver com Bertil sem casamento e sem títulos para que ele mantivesse sua posição na família real. 

Lilian May Devies – Foto: Getty Images

Por mais de 30 anos, Bertil cumpriu seu papel dentro da família real apoiado por Lilian, uma mulher respeitada dentro da família, mas não aos olhos dos   que por décadas lhe rotularam como uma amante do príncipe. Ela nunca havia sido convidada para um evento oficial até 1972, quando foi convidada para o aniversário de 90 anos do “sogro”. Antes disso, assistia aos eventos oficiais pela televisão como publicou em seu livro de memórias. 

No ano seguinte, com a morte do rei e ascensão de seu sobrinho ao trono, a lei foi alterada para que os membros da família real pudessem se casar com plebeus sem perder seus títulos reais. Carls se casou em 1976 com Sylvia, atual rainha e concedeu imediatamente autorização de casamento ao tio que aconteceu na capela real em 1976.

Lilian então se tornou de fato uma princesa recebendo todos os títulos a que tinha direito, incluindo o de duquesa de Halland. Assumiu dezenas de funções reais, entre elas as aparições nas cerimônias oficiais do Prêmio Nobel. Com a morte de Bertil em 1996, e sem filhos, recusou mais de 15 milhões de coroas suecas como herança em favor dos sobrinhos: Madeleine, Carls Philip e Victoria. Ela continuou um membro ativo nas funções reais até 2010, quando o palácio real anunciou que ela estava acometida do Mal de Alzheimer e não apareceria mais em público. Lilian morreu de causas naturais em 2013, aos 97 anos, como o membro mais querido e popular da família real da Suécia. A princesa Madeleine deu à sua primeira filha o nome de Eleonore Lilian Maria em homenagem à princesa Lilian.