Maureen Chiquet, antiga CEO mundial da Chanel - foto: divulgação
Maureen Chiquet, antiga CEO mundial da Chanel – foto: divulgação

‎Reynaldo Pasqua,diretor de marketing da Carmim, está na conferência de luxo promovida pelo New York Times, em Versailles, e de lá manda um relato do que viu no primeiro dia.

Bem vindos ao luxuoso Palácio de Versailles! O ambiente escolhido para o evento deste ano nos contagia com a sensação de moda e luxo. Discutir as tendências do setor com os principais líderes, juntando a força da história do mundo antigo com a necessidade de constante inovação do mundo moderno nos manda uma mensagem clara: os tempos mudaram!

O foco deste primeiro dia foram os desafios que o segmento de luxo está enfrentando para manter seu crescimento e força de imagem.

No começo da conferência tivemos uma mensagem da prefeita de Paris, Madame Anne Hidalgo: “Nós precisamos inovar na maneira de comunicar a tradição e o luxo das marcas francesas, diante dos recentes ataques terroristas onde tantas vidas foram perdidas e o medo foi despertado nas pessoas em todo o mundo.”

Vanessa Freadman, diretora de moda do jornal The New York Times, completou a introdução do dia enfatizando a necessidade de ficarmos atentos às mudanças de comportamento de compra, comunicação e do despertar de desejo dos consumidores mais jovens.

Para Maureen Chiquet, antiga CEO mundial da Chanel, as marcas necessitam sim gerar mudanças, porém devem ser elaboradas de dentro para fora, de acordo com sua autenticidade, valores e forma de pensar. “O cenário atual tem muitas questões que afetam o consumo, como drásticas flutuações de câmbio, mudanças políticas e macro econômicas. Esse cenário exige humildade e trabalho de equipe”.

Seu trabalho na Chanel teve como um dos focos principais escutar a voz dos seus consumidores atuais e da nova geração de potenciais consumidores. Essa geração cada vez mais perde interesse e identificação com as formas tradicionais de propaganda e comunicação. As marcas hoje necessitam ser mais ágeis, flexíveis, rever e mudar seus rumos estratégicos. Olhar com atenção aos pontos vulneráveis do negócio.

Um ponto que ficou claro para mim aqui, e que eu percebo também na realidade do nosso mercado no Brasil, é que a confiança nas marcas é uma característica que cada vez mais ganha destaque na decisão de compra, assim como encantar os consumidores.

Quando o assunto foi contexto global, para Bernard Kouchner, ex ministro de relações exteriores da França, com todas estas variáveis que afetam o consumo, as marcas não podem depender apenas dos super ricos para seu faturamento. Elas devem trabalhar novos valores para atrair novos clientes.

Para os jovens de hoje, cada vez mais a experiência no consumo do produto tem mais apelo do que possuir o item. Exemplo claro é usar o Uber versus comprar um carro.

Para Marco Bizzarri, CEO da Gucci, seu desafio no cenário atual foi trazer jovialidade e mais modernismo para a marca, reinventar a maneira de comunicar o famoso logo Gucci e combater a percepção de que os consumidores de hoje não são mais seduzidos por exibirem os grandes logos das marcas de luxo. “Precisamos olhar os logos de uma maneira nova e contemporânea”. Os logos falam sim com os consumidores e devem ser explorados como uma comunicação eficiente: “Logotipos são a cereja do bolo das marcas”.

Um dos seus desafios recentes foi indicar um novo diretor de criação para Gucci, hoje com 4 bilhões de Euros de faturamento e 11.000 funcionários. Ele promoveu Alessandro Michelle, com 12 anos de Gucci, para juntos recriarem a força e desejo da marca, o sonho Gucci, tomando riscos e aceitando possíveis erros, mas liderando.

As empresas necessitam ficar atentas para onde seu consumidor gosta de fazer suas compras para não perder mercado. Hoje 80% do faturamento da Gucci vem das suas lojas e 20% de multimarcas e lojas de departamento.

Com exclusividade para o congresso do The New York Times Luxury, Marco anunciou que a Gucci fará pela primeira vez um único fashion show para mostrar a sua coleção feminina e masculina, juntas na passarela para a coleção 2017.

Todo o conteúdo do dia teve seu foco nos desafios de mercado e nas mudanças do comportamento da nova geração de consumidores que irão manter acesas a paixão e desejo do consumo de luxo.

Ficou evidente para mim que as marcas líderes do segmento precisam reinventar seu apelo de venda. Estão conscientes dos riscos, mas liderando esse processo de mudança.