Foto: reprodução
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Debates em torno do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) foram amplamente dominados por vozes masculinas. A secretária de finanças e inovação Angela Eagle foi franca ao dizer: “As vozes das mulheres sumiram diante da barulheira infantil que os homens estão promovendo dentro do partido conservador.”

A União Europeia tem desempenhado um papel crucial quando se trata de aumentar as oportunidades para mulheres no Reino Unido. Graças às diretrizes do bloco para nos proteger no ambiente de trabalho, os direitos têm avançado. Em 1984 o Reino Unido adotou a igualdade de remuneração instituída pelo grupo europeu em 1976, o que significou que “trabalho de mulher”, como cozinha e limpeza, passava a ser igual a “trabalho de homem”, exigindo os mesmo níveis de habilidade. Além disso, há proteções que a UE estabelece em relação a mulheres grávidas, garantindo que todas tenham o direito a pelo menos 14 semanas de licença a maternidade, podendo voltar para o mesmo emprego com a certeza de que não serão demitidas em função de uma gestação.

“Uma coisa emocionante para as mulheres da geração Y e a geração que vem depois da nossa é o crescimento da internet – toda uma nova indústria, toda uma nova oportunidade de empregos”, disse June Sarpong, apresentadora de televisão britânica e apoiadora da campanha In (contra a saída), sobre jovens e vagas de trabalho em escala global. “Há tecnologias que nem foram inventadas ainda, que podem ser o negócio que você está começando ou o negócio que está contratando você”.

June disse que votar para a saída da UE significava virar de costas para muito desse potencial. “Por que nós iriamos limitar suas oportunidades? Por que nós iríamos limitar as oportunidades de viver e trabalhar dentro de outros 27 países – isso simplesmente não faz sentido para mim.”

Suzanne Evans, política apoiadora da campanha Out (que pedia a saída), disse que permanecer na UE seria prejudicial para o futuro das mulheres jovens.

“Estamos falando sobre a minha filha”, ela disse. “Ela tem 23 anos e acabou de começar em seu primeiro emprego, e seu maior problema é dívida: a dívida estudantil que ela amarrou em seu pescoço por estudar quatro anos e que agora ela está começando a pagar, mesmo que ainda possua uma renda limitada.”

Ela argumentou que o Brexit significa uma economia mais forte, o que por sua vez trará benefícios para a geração dos millenials. Ela ainda afirma que a maneira mais rápida de fazer isso é olhar para oportunidades comerciais fora da UE.

“Nosso país está em dívidas. Eu acho que precisamos olhar para outras maneiras de fazer nossa economia crescer rapidamente, e a única forma de fazer isso é olhar globalmente, em vez de apenas nos amarrarmos nesse pequeno bloco de 28 países que está falhando – falhando economicamente, falhando estruturalmente e falhando socialmente.”