Oferta de drinques e bebidas não alcoólicas cresce no Brasil

Empresas, bares e restaurantes estão de olho em grupo que não consome álcool

by redação bazaar
Drinks sem álcool entram para o cardápio de bares e restaurantes - Foto: Arquivo Bazaar

Drinks sem álcool entram para o cardápio de bares e restaurantes – Foto: Arquivo Bazaar

Por Juliana Bianchi

Eles são contra o consumismo, se preocupam com o impacto de suas escolhas no mundo e estão constantemente em busca de uma vida mais moderada e consciente. Batizados pela empresa de pesquisa Euromonitor Internacional como Clean Lifers, o grupo formado principalmente por millennials começa agora a ganhar corpo no mundo inteiro e a guiar mudanças significativas no mercado, desde a valorização dos alimentos baseados em vegetais à não ingestão de álcool.

Sim, nem uma gota de álcool para essa turma que prefere sessões de yoga coletiva logo de manhãzinha a virar a noite na balada. E não se trata apenas de discurso. “Há alguns anos, nem pensávamos em colocar drinques sem álcool no cardápio. Hoje, as casas precisam ter ao menos duas opções que fujam do clássico suco de tomate”, afirma o mixologista Marcelo Serrano, responsável pela carta de bebidas dos bares Veríssimo e Quintana, em São Paulo.

Entre as sugestões de maior sucesso estão o Mojito Baiano, feito com limão siciliano, hortelã e água de coco, e o Chá Marroquino, à base de chá preto, mojito mix, água e limão. No restaurante Esther Rooftop, do chef Olivier Anquier, o chá gelado (com hortelã, jasmin, xarope de limão siciliano e pêssego) e o coquetel de suco de laranja, limão Taiti, xarope de hibisco e gengibre também dividem espaço com Old Fashions e Gin Tônicas na carta de drinks. Em dias mais quentes, mais de 100 taças não alcoólicas chegam a ser pedidas por sua refrescância e leveza, que permite beber à vontade, sem medo de passar dos limites.

Mas as taxas de crescimento desse mercado apontam para um interesse que extrapola o grupo dos abstêmios radicais. “Nem sempre estamos a fim de ingerir álcool, mas também não queremos deixar de estar com os amigos no bar, bebendo algo saboroso e mais saudável do que refrigerante ou sucos cheios de açúcar”, diz Helena Mattar, que há menos de um ano lançou, com amigos, o switchel Kiro, uma bebida não alcoólica, não gaseificada e não fermentada, produzida a partir da combinação de água, gengibre, mel e vinagre de maçã.

“Nunca pensamos em Kiro como uma bebida saudável e fitness. Mas ele é um clean label artesanal, agroecológico e com propriedades isotônicas, então acabou naturalmente ganhando o interesse de um público mais amplo”, completa ela. A empresa, que inaugurou uma nova categoria de bebida no País, já vende mais de 9 mil garrafas por mês em apenas 50 pontos de venda de São Paulo – entre eles os restaurantes Maní, Arturito, Le Jazz e Z-Deli.

Reduzir a ingestão de calorias, não sair da dieta saudável, optar por produtos menos industrializados ou simplesmente se manter sóbrio frente a blitze policiais são alguns dos motivos que fazem a tendência dos não alcoólicos ganhar terreno por toda a parte. Só na Inglaterra, a venda de cerveja sem álcool cresceu 16,8% em 2017, enquanto no Brasil, onde já é possível encontrar versões zero álcool de gigantes como Brahma, Heineken, Budweiser, Erdinger, Paulaner e BrewDog, a evolução foi de 5,7%. Segundo a própria AB Inbev, até 2025 os produtos não alcoólicos ou com baixo teor devem representar 20% das vendas da empresa.

E não é apenas o mercado cervejeiro que se prepara para tirar uma casquinha da tendência. Na Inglaterra, a Seedlip, “primeira destilaria não alcoólica do mundo”, vem chamando atenção com curiosas combinações de água com extratos naturais de ervilha, feno, hortelã, alecrim e tomilho ou especiarias, carvalho, limão e toranja. Prova de que o potencial de sabores e combinações está apenas começando a se desenvolver, sem que seja preciso ficar nem levemente zonzo para isso.

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