Foto: Arquivo Harper's Bazaar
Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Nesta sexta-feira (17.01), Michelle Obama completa 56 anos. Uma das primeiras-damas que mais marcou a história dos Estados Unidos – inclusive por ser o primeiro casal negro na Casa Branca -, seu legado continua influenciando milhões de mulheres, mesmo três anos depois de Barack Obama deixou o cargo de presidente norte-americano.

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Para comemorar seu aniversário, relembramos uma entrevista marcante que Michelle deu à Oprah em setembro de 2018, quando sua biografia foi lançada. Falando sobre sua infância, família e realizações, a esposa de Obama é uma mulher que verdadeiramente nos inspira. Leia abaixo:

Se você passou pela Heart Tower, em Nova York, na manhã do dia 6 de setembro de 2018, acho que você pode ter sentido o prédio pulsar. Cerca de 200 pessoas – editores das revistas da Hearst e executivos, e algumas alunas do Ensino Médio muito animadas – estavam aguardando, muitos literalmente na ponta de seus assentos, pela chegada da minha convidada especial. E todas essas pessoas juraram segredo – não apenas sobre o que essa convidada pudesse dizer durante nossa conversa, mas sobre o fato de que estava tendo uma conversa, que minha convidada estava ali. Segredo total e absoluto. Em uma sala cheia de profissionais da comunicação e adolescentes. Como eu disse: pulsando.

E quem pode culpá-los? Michelle LaVaughn Robinson Obama não dá muitas entrevistas, e essa seria a primeira vez que falaria sobre sua biografia, “Becoming: A Minha História”. É um livro notável – insisto, insisto, insisto que você o leia. Porque eu conheço a senhora Obama há 14 anos, e posso te dizer: ela é tudo o que você acha que é e mais. Ela serviu como primeira-dama dos Estados Unidos com tanta dignidade, tanta graça, tanto estilo. Mesmo assim, ao mesmo tempo ela é realmente como um de nós. Estou animada para que você veja isso sobre ela e a conheça melhor, e descubra o que ela tem feito nos últimos dois anos. Então se prepare para ficar fascinado. E para todos que estavam naquela sala em setembro de 2018: vocês podem respirar agora.

Michelle Obama e Oprah - Foto: Arquivo Harper's Bazaar
Michelle Obama e Oprah – Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Primeiro, deixe dizer: Nada me deixa mais feliz do que sentar com um bom livro. Então quando percebi – no prefácio! – que livro estraordinário estava começando, fiquei tão orgulhosa de você. Ele é afetuoso, é poderoso, é bruto.
Obrigada.

Porque “Tornando-se”?
Na verdade tínhamos uma lista de títulos que não escolheríamos. Mas “tornando-se” resumia tudo isso. Uma pergunta que os adultos fazem para as crianças – e acho que é a pior questão do mundo – é “O que você quer ser quando crescer?”. Como se crescer fosse finito. Como se você se torna-se algo e isso é tudo que existe.

Você cresceu e são tantas coisas diferentes – como você lida com isso?
E não sei qual será a próxima coisa que serei. Falo isso para jovens o tempo todo. Você sabe, todas moça provavelmente tem um número mágico de qual idade você terá quando se sentir adulta. Mas a verdade é que, para mim, cada década oferece algo incrível que você nunca imaginaria. E se eu parasse de olhar, teria perdido tanto. Então ainda estou me tornando Michelle e isso é a história da minha jornada.

Tem tantas revelações neste livro. Escrever sobre sua vida privada foi assustador?
Na verdade, não, porque isso é uma coisa que percebi: pessoas sempre me perguntam “Por que você é tão autêntica?” “Como as pessoas se conectam a você?” E acho que isso começa porque gosto de mim. Gosto da minha história e todos os obstáculos do caminho. Acho que isso é o que me torna única como sou. Então sempre fui aberta com minha equipe, com jovens, com amigos. E outra coisa, Oprah: sei que, gostando ou não, Barack e eu somos modelos.

Sim.
Odeio quando pessoas que estão no olho do público – e até procuram isso – querem recuar e dizer “nossa, não sou um modelo. Não quero essa responsabilidade”. Tarde demais. Você é. Jovens estão te observando. E não quero jovens olhando para mim aqui e pensando, nossa, ela nunca teve momentos difíceis. Ela nunca teve desafios, ela nunca teve medos.

Não vamos achar isso depois de ler o livro. Não vamos achar isso mesmo.
(Risos)

Lendo seu livro, posso ver como todas as coisas que você fez na sua vida te preparou para os momentos e anos que seguiram. Acredito nisso.
Isso se você pensa sobre o caminho que quer seguir. Se você se viu como uma pessoa séria no mundo, todas as decisões que você faz realmente constrói vai influenciar no tipo de pessoa que você vai se tornar.

Sim, e posso ver isso em você na primeira série. Você teve uma atitude A+++.
Minha  mãe disse que eu era um pouco demais.

Conseguir essas pequenas estrelas douradas significou algo para você.
Sim. Olhando para trás, percebi que havia algo em mim que entendia o contexto. Meus pais me deram a liberdade de ter pensamento e ideias muito cedo.

Michelle (ainda bebê), com seus pais, Fraser e Marian Robinson, e irmão, Craig - Foto: Divulgação
Michelle (ainda bebê), com seus pais, Fraser e Marian Robinson, e irmão, Craig – Foto: Divulgação

Eles basicamente deixaram você e [seu irmão] Craig se virar?
Meu Deus, sim, eles deixaram. E o que percebi é que essas realizações importam e que crianças seriam analizadas cedo, e se você não demonstrasse habilidade – particularmente como uma criança negra de South Side com uma família trabalhadora – então pessoas estavam prontas para te colocar em uma caixa de fracasso. Não queria que as pessoas achassem que não era uma criança trabalhadora. Não queria que elas pensassem que eu era “uma daquelas crianças”. As “crianças más”. Não há crianças más. existem más circunstâncias.

Você menciona essa frase que gosto tanto, acho que deveria estar em uma camiseta ou algo. “Fracasso”, você diz, “é  um sentimento muito antes de se tornar um resultado. É vulnerabilidade que gera dúvida e então é intensificada, deliberadamente, pelo medo”. Quando você soube disso?
Na primeira série. Pude ver minha vizinhança mudando ao meu redor. Nos mudamos para lá nos anos 1970. Viviamos com a minha tia-avó em um apartamento muito pequeno sobre uma casa que ela tinha. Ela era professora e meu tio-avô era um carregador da Pullman, então eles puderam comprar a casa em o que era uma comunidade predominantemente branca. Nosso apartamento era tão pequeno que o que provavelmente era uma sala de estar foi dividida em três quartos. Dois eram meu e do meu irmão, cada um cabia em uma cama de solteiro, e tinham apenas painéis de madeiras nos separando – não haviam paredes de verdade, podíamos conversar um com o outro. Era tipo, “Craig?” “Sim?” “Estou acordada. Você está acordado?” Nós jogávamos uma meia sobre os painéis como um jogo.

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