Otávio Zavos - Foto: Divulgação
Otávio Zavos – Foto: Divulgação

Por Lucas Rechia

Atento a um mercado que por anos se acostumou em replicar uma receita pronta, Otavio Zarvos apostou em inovar no mercado da construção civil, com prédios residenciais e corporativos que miram um consumidor que valoriza a qualidade arquitetônica e a relação do edifício com o entorno.

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Novas cores surgiram na paleta dos edifícios da capital, frente ao bege até então onipresente, mais áreas de lazer e plantas flexíveis e a Ideia!Zarvos, mesmo que pequena, frente aos gigantes do setor, alterou padrões consolidados no mercado.

Terraço do edifício W.305 - Foto: Divulgação
Terraço do edifício W.305 – Foto: Divulgação

De olho nesse cliente e nos desafios que uma cidade como São Paulo apresenta, Otávio trouxe nomes como Isay Wenfeld, Andrade Morettin, FGMF e Jacobsen para projetar seus empreendimentos, juntos eles mudaram o high line da Vila Madalena e começam a expansão para bairros como Itaim e a região dos Jardins.

A Bazaar conversou com Otávio para saber um pouco mais da história da Idea!Zarvos e como ele pensa a cidade frente aos novos desafios do novo plano diretor de São Paulo.

Você pode contar um pouco da sua história e como nasceu a Idea!Zarvos?
O meu pai já trabalhava no mercado imobiliário, e quanto eu estava na faculdade eu fiz estágio na empresa dele. Então ele faliu e eu decidi abrir uma empresa com meu irmão, foi assim que eu comecei minha atividade nesse ramo. Eu fiquei com meu irmão cerca de 8 anos, a gente decidiu não continuar com a empresa e eu montei a Idea! Zarvos sozinho. No início, eram apenas três pessoas, eu, uma secretária e uma conta a pagar.

Edifício W.305 - Foto: Divulgação
Edifício W.305 – Foto: Divulgação

A cidade e os espaços públicos tem ganho cada vez mais importância no momento de lazer das pessoas, de que forma essas mudanças impactam nos projetos da Idea!Zarvos?
A gente acompanha muito essas mudanças e, já há muito tempo, um dos pilares da Idea!Zarvos quando estamos projetando um prédio, é a preocupação com o entorno imediato da localização do prédio. Então a gente trata ele de uma forma amigável com o pedestre; para dar exemplos disso, nos nossos prédios não possuem grades, tem espaço para foodtruck parar, bancos na calçada para descanso e conectar o público passante com nossos empreendimentos, árvores que fazem sombra, alargamento da calçada na frente do prédio, tem mais uma série de coisas que a gente entende que o prédio precisa para ser mais amigável com a rua e dessa forma se integrar com esse novo jeito de ver a cidade que a gente está percebendo.

Edifício Azul - Foto: Divulgação
Edifício Azul – Foto: Divulgação

O novo plano diretor da cidade de São trouxe uma série de diretrizes que impactaram o setor da construção civíl, como você vê o impacto dessas mudanças no médio e longo prazo na cidade de São Paulo?
O plano diretor trouxe principalmente o debate que ainda não era muito divulgado na sociedade, que é sobre o adensamento das cidades. Então, hoje, existe uma corrente que é bastante forte entre os urbanistas, de que grandes metrópoles, como São Paulo, precisam se adensar mais, evitar que a cidade se espalhe demais, por que isso faz com que a mobilidade seja mais difícil, infraestrutura seja mais cara, mais transito, uma série de coisas. A longo prazo, isso vai trazer um impacto benéfico para a cidade. A parte negativa seria que isso tinha que vir acompanhado de outros três pontos que eu acho importante: primeiro é, tratar a questão de aproximar as pessoas mais pobres dos melhores empregos; segundo, um plano individual para cada bairro, pois cada um tem uma necessidade específica; e o terceiro ponto, cuidar mais da vocação da cidade antes de ficar fazendo planos. Essa seria a primeira diretriz quando você vai fazer o plano diretor, o que a cidade é capaz de fazer? Quais as qualidades da cidade de São Paulo? E, obviamente, achar uma vocação para a cidade como um todo e para os bairros separadamente, para que sejam mais prósperos. Acho que estes três pontos que o plano diretor deveria abordar.

Edifício Oito - Foto: Divulgação
Edifício Oito – Foto: Divulgação

Qual a cidade ideal para você?
São Paulo mesmo. Eu sou otimista em relação à cidade, acho que ela tem desafios, mas acho que é uma cidade que se reinventa sempre. Ela tem uma coisa que é muito importante, que é muita diversidade, tanto social, econômica, de usos, acho que é uma cidade de desafios, e eu sou uma pessoa que gosta de desafios.

Um dos pontos de inovação de vocês foi trazer grandes nomes da arquitetura para assinar os projetos da Idea!Zarvos, quais os principais pontos de inovação nos projetos da empresa?
Inovação é uma inquietude que a gente tem, de sempre tentar melhorar o último prédio que a gente fez. A gente sempre está insatisfeito, mas com relação aos projetos têm três pontos principais, quando vamos fazer um prédio: a parte estética, o entorno imediato e a questão ‘para que o prédio serve?’ Quando a gente vai para um bairro, a gente estuda o que falta no bairro e o que ele tem em abundância. Procuramos levar o que falta.

Edifício Oito - Foto: Divulgação
Edifício Oito – Foto: Divulgação

Quais são, na sua opinião, os projetos mais emblemáticos, na história de vocês?
Acho que eu gosto de todos os meus projetos, são como filhos, têm qualidades e defeitos, uns dão mais trabalho do que os outros, você pode até falar qual seu filho que ficou mais famoso, mas não significa que você gosta mais dele ou que seja mais importante que os outros.