Fotos: Vicente de Paulo, com styling Lara Gerin
Fotos: Vicente de Paulo, com styling Lara Gerin

Por Ana Ribeiro

Estou em São Paulo, Patricia em Nova York. Enquanto me conta da vida, em seu português com sotaque francês e pitadas de expressões em inglês, mostra pelo Skype detalhes de seu apartamento no Upper East Side, dando especial atenção às obras de arte que coleciona. O piso é todo de cimento queimado, as paredes brancas – muita parede para muita arte.

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Fotos: Vicente de Paulo, com styling Lara Gerin
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Mais sobre isso mais tarde. A história de Patricia de Picciotto, de 37 anos, parece uma aula de geografia: se mudou para Nova York há quatro anos, morou em São Paulo por 10 anos, antes disso viveu em Londres. Cresceu e fez faculdade em Genebra. Nasceu em Hong Kong, quando o pai, a mãe e as duas irmãs mais velhas fugiam do Líbano em guerra. Logo a família toda se mudou para a Suíça.

Fotos: Vicente de Paulo, com styling Lara Gerin
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“O que eu queria mesmo era estudar gemologia e trabalhar com joias, mas meu pai era banqueiro, a faculdade de Economia parecia uma escolha óbvia”, explica. “No minuto em que me formei, me mudei para Londres e fui atrás do meu desejo. Fiz curso de gemologia e de design de joias, estágio na Christie’s e na Christian Dior. Quando terminei, fui para o Brasil passar uma temporada sabática de seis meses. Minha mãe havia se casado com um brasileiro e estava morando em São Paulo.”

Fotos: Vicente de Paulo, com styling Lara Gerin
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Foi ali que Patricia foi atropelada pelo seu futuro, por uma paixão, por um casamento e três filhos. Os seis meses viraram 10 anos, durante os quais fez curso de português e história da arte na Faap, trabalhou em um escritório de comércio de joias na Praça da Sé e montou sua própria linha, a Pasha. “Fazia as peças-piloto eu mesma, em um ateliê na Vila Madalena.”

Fotos: Vicente de Paulo, com styling Lara Gerin
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Seus três meninos – Edward, 10, Raphael, 8, e Benjamin, 6 – nasceram em um intervalo de quatro anos. Patricia guardou uma peça de cada que fez para sua marca, mas raramente as usa. O que quase não tira são o colar e a pulseira com o olho turco (ou grego, há controvérsias) que trouxe há 10 anos de Israel. “Acredito super que me traz proteção. Tenho pedras e cristais também para proteger a minha casa”, revela.

Fotos: Vicente de Paulo, com styling Lara Gerin
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Ela é uma mulher radiante, de olhos verdes e cabelos castanhos longos que revira em um gestual constante enquanto fala. Diz que não faz outro exercício que não andar, muito, pelas ruas de Nova York. São 10 mil passos por dia. Conta que levou do Brasil um gosto pelas cores mais fortes e por estampas tropicais. Sua moda praia ainda é totalmente brasileira: biquínis Cia. Marítima e peças Adriana Degreas e Cecilia Prado.

Fotos: Vicente de Paulo, com styling Lara Gerin
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Mas a temporada brasileira influenciou também seu comportamento. “Fiquei mais informal, mais aberta e calorosa. Essa coisa de, no Brasil, a gente logo tratar as pessoas pelo primeiro nome e cumprimentar com um abraço quebrou algumas barreiras nos meus relacionamentos.” Uma coisa que Patricia deixou no Brasil foi boa parte de seu guarda-roupa. “Diminuí minhas roupas pela metade”, conta. O preto é raridade. “Tenho alguns vestidos dessa cor, para ocasiões mais formais.” Casacos são uma paixão, ela tem diversos.

A pedido dos filhos, as peles de verdade foram substituídas por fake. “Fiz um acordo com eles: ficaria com as que tinha, não compraria nenhuma outra.” Patricia vive cercada de arte em casa. Logo na entrada, Albert Einstein recepciona quem chega com uma placa onde se lê “Love is the Answer”, na obra de Mr. Brainwash.

Fotos: Vicente de Paulo, com styling Lara Gerin
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Ela tem Ai Weiwei, Takashi Murakami, Thomas Glassford, Mel Bochner e os brasileiros Henrique Oliveira e Flávia Junqueira, entre tantas outras coisas. Sua atividade atual é levar grupos para explorar galerias de arte e ateliês de artistas nova-iorquinos. “Não dá para ficar blasé com Nova York”, atesta. “Tem sempre coisas novas para descobrir nessa cidade.”

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