Foto: Reprodução Harper's Bazaar Dezembro
Foto: Reprodução Harper’s Bazaar Dezembro

Por Rosana Rodini

Nem fazia 40 graus. Mas o mormaço, anunciando a estação mais quente do ano, arrastou todo mundo para a areia. Na carência de sol, o que reluzia era o neon da moda praia, pendurada e ostentada em guarda-sóis ambulantes, cartão-postal tão trivial quanto o Cristo ou o Dois Irmãos. A loira voluptuosa, trajando um maiô engana-mamãe em versão periguete, ordena: “Moço, espera”. Param logo três. Se o produto é o mesmo, preço idem, a lábia é outra. E, como manda a cartilha da boa praia, leva o de melhor lábia, sempre. “Tem biquíni, tem maiô, tem em todas as cores. E brilha! Mas o que importa mesmo é que deixa o bronze da loira mais reluzente”, galanteia ele, segurando o guarda-sol-cabide que mais parece um arco-íris psicodélico. E ela, já em tom Cenoura & Bronze, trajando um modelo verde-limão, num negócio da China (não apenas literalmente), leva dois, um amarelo-cheguei e outro rosa fluorescente, pelo total de R$ 30. No crédito, claro, já que o shopping à beira-mar há tempos aceita, de bom grado, todas as bandeiras.

Como ocorre a cada sol de quase dezembro, eis o hit do verão. A moda praia (a que rola na areia mesmo) é espelho dos anseios atuais, com um tempinho de atraso. E o da vez bebe na fonte dos anos 80, revivendo as formas da década dos abusos e dos excessos em bustiês ousados, recortes insanos e cores eletrizantes. A praia agora é clubber. E, se você duvida, o camelô me conta, sorriso largo, que vende, em média, 30 por dia (não se esqueça de multiplicar pelo número de vendedores). Quando os termômetros sobem, as vendas podem dobrar. Ele, assim como eu, não compreende a razão de tal magia, que anda revestindo de neoprene corpos torneados ou nem tanto.

A culpa é da Austrália, mais especificamente da marca australiana Triangl, que apostou na geometria em technicolor (mais de 2 milhões de seguidores só no Instagram), e das celebs (pense em Kendall e Kylie Jenner, Miley Cyrus, Beyoncé…), que assentiram à tendência há algum tempo. No verão 2015-2016, da China para o mundo, estava feito o estrago, posto que a cópia, assim como a pressa, quase sempre é inimiga da perfeição. “Olha, pelo menos ninguém mais vai se perder por aqui. Mas eu preferia aquele de babado, uma perdição”, segue o vendedor, perito em beachwear, sobre o sucesso de outro verão, agora maré passada. Eu tenho as minhas dúvidas.

Campanha Triangl - Foto: Divulgação
Campanha Triangl – Foto: Divulgação

Fato é que a temporada promete ser dolosa para olhos sensíveis. Se sair da praia clubber, vai reparar que a rave segue no calçadão, revestido por tênis ultracoloridos (há ainda quem aposte em um de cada cor), que fazem dobradinha com a moda fitness. É que as mulheres nunca mais tiraram a roupa de ginástica. Na porta das escolas, nos restaurantes, no shopping… o look aeróbico é o novo preto, só que de preto ele não tem nada. E, se você ainda não ouviu falar no termo athleisure (athletic + leisure), agora no dicionário oficial da moda, certamente já o viu por aí – não precisa necessariamente malhar para adotar a tendência, aposta máxima entre as marcas. Nas academias, meias bicolores persistem e resistem. Até os patins, febre da malhação ao ar livre, ostentam um Flashdance reloaded para Jennifer Beals nenhuma botar defeito, com cadarços e/ou rodas fluorescentes. São as muitas cores anunciando o verão e, com ele, os modismos que devem ir com as águas de março.

Em tempo: nem aí para os hot tickets da estação, a estampa Romero Britto se mantém firme e forte pela orla. Tanta coisa pra proibir… e o topless, que é bom, ainda segue tabu…