Karl Lagerfeld em uma máscara customizada da Fendi - Foto: Karl Lagerfeld/reprodução
Karl Lagerfeld em uma máscara customizada da Fendi – Foto: Karl Lagerfeld/reprodução

Haper’s Bazaar: O que fez você escolher essa máscara?

Karl Lagerfeld: Sou eu em uma versão peluda de mim mesmo. Também eu em uma versão 3-D cartoon – e nós sabemos como os cartoons podem ser populares.

Oliver Rousteing: Quando eu posto no Instagram, as pessoas comentam “Você esta fazendo uma duck face ou uma fish face?”, é uma piada entre mim e meus seguidores, porque eu estou fazendo aquilo com os meus lábios. Um peixe é um espírito livre e difícil de se pegar.

Alber Elbaz: Uma vez tivemos uma festa a fantasia na Lanvin, e um dos meus colaboradores foi vestido de flamingo – bem Los Angeles, livre, divertido e bonito. Isso me fez sorrir, e ela estava muito bonita. Então eu disse que queria ser bonito também. Você sabe, ser lindo não é comigo.

HB: Estudos psicológicos tem mostrado que as máscaras permitem que as pessoas se sentirem anônimas, o que muitas vezes faz com que elas se comportem de forma diferente. O que você faria se ninguém soubesse que você era você?

OR: Eu tentaria descobrir o que as pessoas realmente acham de mim, mas não se atrevem a me dizer.

AE: Eu acho que, com a forma do meu corpo, uma máscara não iria me esconder – precisaria muito mais do que uma máscara.

HB: No mundo da moda atual, parece que as informações sobre um estilista e sua marca precisam ser divulgadas o tempo inteiro. Como isso afeta seu trabalho?

AE: Não sou um político. Sou apenas um designer. Faço roupas. Não sou uma estrela. Eu gosto da solidão, para ser capaz de refletir meus pensamentos. Eu não tenho Instagram – sou mais um voyeur. Observação é a ferramenta de cada designer, e acho que as mídias sociais são mais sobre o exibicionismo.

KL: Me acostumei em não ser mais anônimo. De qualquer forma, a coisa toda é muito mais fácil quando se diz do que quando se faz. As celebridades se queixam sobre o desejo de serem famosas e quererem simultaneamente uma vida privada e anônima. Eu digo sempre: imagine no proverbio francês “você não pode ter a manteiga, o dinheiro para a manteiga e a leiteira”. Digamos que eu nasci para ser diferente.

OR: Eu não acho que isso afeta meu trabalho. Eu tenho minha vida mais publica do que outros designers. Obviamente gosto de usar o Instagram – com um clique você mostra ao mundo o que quiser. Mostro ao mundo o rosto de um garoto jovem que tem uma vida fabulosa. Mas, por outro lado, há muitas cosas que não mostro. Então, de certa forma, é uma máscara.

HB: Se você pudesse ser um super-herói mascarado. Quem você seria?

AE: Eu seria o Karl!

OR: Eu adoraria ser o Super-homem. Será que isso conta? Ele é bonitão, pode voar, salva vidas e tem a roupa perfeita.

O diretor criativo da Lanvin, Alber Elbaz, em uma máscara feita por Francesca Lombardi - Foto: Karl Lagerfeld/reprodução
O diretor criativo da Lanvin, Alber Elbaz, em uma máscara feita por Francesca Lombardi – Foto: Karl Lagerfeld/reprodução

HB: Você usa uma mascara?

KL: Sim! Meus óculos escuros. Eu os chamo de “minha sombra portátil”.

OR: A minha é a mascara do Oliver – sexy, decisiva e descontraída. Mas, por trás dela há uma pessoa que é muito tímida e com muitas dúvidas.

AE: Eu nunca uso máscaras ou fantasias. Não quero usar quaisquer máscaras na vida.

HB: Gatos ou cachorros?

OR: Gatos. Eu amo a liberdade, e acho que o gato é mais livre, nem sempre precisa ficar perto de você. Eles são tão bonitos, delicados e elegantes… É muito Balmain ter um gato.

AE: Cavalos. Eu diria que cavalo é mais elegante.

HB: Você monta?

AE: Não, não, não, está brincando? Eu mal consigo andar! Eu iria cair de cara no chão. Mas quem disse que é ruim sonhar um pouco? Na minha cabeça sou um atleta que anda a cavalo e há um flamingo me esperando no outro lado do oceano.

HB: Na moda, muitas vezes um quer passar por cima do outro. Como você se protege?

OR: Acho que me protejo tentando lembrar a mesquinharia de quando era criança. Meus pais são brancos e eu sou negro. Passei por muitos momentos difíceis por causa disso. Chorei mais por isso do que com os comentários rudes ou críticas de jornalistas ou de outros designers que recebo agora. Apenas tento lembrar o quanto era difícil naquele momento da minha vida.

AE: Tento não ficar em lugares e com pessoas que tenham energias negativas. Evito dizer coisas que podem me arrepender depois. Outro dia estava no escritório de um amigo e ele tinha um slogan: “quando você mantém sua boca fechada, um amigo é sempre um amigo.”

O diretor criativo da Balmain, Olivier Rousteing em uma máscara de Francesca Lombardi - Foto: Karl Lagerfeld/reprodução
O diretor criativo da Balmain, Olivier Rousteing em uma máscara de Francesca Lombardi – Foto: Karl Lagerfeld/reprodução

HB: Qual foi um momento difícil pelo qual passou? E como superou isso?

OR: A última coisa que me magoou foi quando eu percebi que algumas pessoas realmente próximas a mim me valorizavam apenas por negócio. Eu acho que isso me fez desconfiar mais dos outros. Na escola você sonha em se tornar um designer e fazer roupas, mas, na realidade, tudo é business.

AE: Todos os dias, todas as horas, têm alguma coisa que me faz feliz e alguma coisa que me deixa triste. Sou uma pessoa extremamente emocional. Mas estou aprendendo a me segurar.

HB: O que você acha que tem sido sua maior contribuição para a moda até agora?

KL: Já fiz muita coisa, e eu não era tão ambicioso.

OR: Acho que uma coisa é mostrar que um jovem negro francês pode realmente assumir uma grande marca de luxo.

AE: Dar às mulheres beleza e conforto na mesma peça. A vida é difícil – tudo é muito frágil. Ouvimos falar de um desastre e pensamos, “Para que serve a moda? Quem liga para isso?”. Mas é importante, pois trata de o quando precisamos ser aplaudidos, do quando precisamos de um abraço. Um vestido bonito pode abraça-lo.