Gisele Bündchen causa furor no desfile de inverno 2014 da Colcci. Repare na quantidade de smartphones a postos na primeira fila - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Gisele Bündchen causa furor no desfile de inverno 2014 da Colcci. Repare na quantidade de smartphones a postos na primeira fila – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Sylvain Justum

Quantos likes vale uma foto da entrada final de Karl Lagerfeld no desfile da Chanel? E um registro do cenário suntuoso da Dior? Ou, ainda, um já clássico selfie segurando o cobiçado convite para a apresentação da Balenciaga? Na temporada internacional de inverno 2015, que começa nesta quinta-feira (06.02), esse será, novamente, o termômetro para medir não apenas o sucesso (ou não) dos desfiles em questão, mas também (e sobretudo) da “cobertura” de jornalistas, stylists, buyers, modelos e, claro, blogueiras pelas maiores fashion weeks do planeta.

Sua timeline, prepare-se, vai ser inundada com fotos e mais fotos (em sua maioria, idênticas) de cada zíper, sapato, bolsa e make que entrar na passarela. Nosso famigerado “mundinho” da moda nunca chegou, tão rápido, ao alcance de tanta gente; falar em “democratização da moda” jamais foi tão apropriado.

Estar in loco ainda é para poucos, claro, mas você, simples mortal, hoje pode acompanhar a maioria dos shows, ao vivo, no conforto do seu lar, por ângulos privilegiados e com riqueza de detalhes. Graças aos vídeos de livestreaming, fotos em real time e posts reveladores dos principais players do setor.

Mas, no universo antes exclusivo de salas de desfile, ganha, agora, quem postar mais rápido ou quem tiver o olhar mais apurado, com mais conteúdo? O fator insider, carregado de exclusividade, com instafuros como um top estilista arrumando um look minutos antes de ele entrar na passarela, valerão milhares de #regrams. Afinal, instantes depois, quando ele finalmente pisar no catwalk, uma avalanche de posts daquela mesma produção vai correr em sua timeline.

Na instacobertura da moda, vale muito, também, o clique de toda (mas não qualquer!) celebridade que esteja na sala ou na sempre fervilhante porta dos desfiles. Ufa. E você pensando que vida de editora de moda era sentar na primeira fila e ter livre acesso aos camarins. Foi-se a época, cara leitora, em que publicações mensais tinham tempo de assistir, digerir e, só então, consultar seu bloquinho de anotações e fazer o seu report, com as tendências e os highlights da estação.

Sem contar que, para nós, um bloquinho só não faz mais cobertura. iPhones, iPads, câmeras fotográficas e filmadoras já são itens de primeira necessidade durante as temporadas. Sem esquecer dos carregadores portáteis, para aquela hora de desespero em que o smartphone agoniza antes que você tenha conseguido subir aquela foto imperdível do mesmo sapato que o colega ao seu lado (e o outro ao lado dele e assim por diante) já postou. O jornalismo de moda é aqui e agora.

Seguindo os perfis certos (@bazaarbr entre eles, claro!), acompanhar o circuito pode ser rico e divertido. Mas, sabemos, tudo em excesso faz mal – e o temido botão de unfollow espreita quem abusar do flood fashion. Fica a pergunta: ao final de mais uma bateria de semanas de moda, será que mil imagens vão valer, mesmo, mais do que algumas (certeiras) palavras?