Foto: Divulgação
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A diminuição da taxa de natalidade na união europeia é uma das grandes preocupações dos países do continente, que vêm desenvolvendo campanhas com o intuito de reverter o cenário e equilibrar a pirâmide etária. Afinal, à medida em que a população envelhece, mais pessoas se tornam dependentes de benefícios sociais e menos jovens contribuem com a previdência e outras esferas do governo.

Com o pior lugar no ranking – com a média de 1.4 filhos por família -, a Itália anunciou medida extrema e criou o Dia Nacional da Fertilidade, celebrado dia 22 de setembro. Porém, a iniciativa não foi recebida como era esperado.

De acordo com o site oficial da campanha, o dia foi pensado para “lembrar da beleza que é ser  pai” e “alertar sobre as doenças que levam à infertilidade”. Ao todo, são seis imagens com dizeres como “Beleza não tem idade, mas fertilidade sim”, “Fertilidade é um bem comum” e “A fertilidade masculina é muito mais vulnerável do que você imagina”. No entanto, o resultado foi uma chuva de críticas.

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Nas redes sociais, as mulheres italianas comentaram sobre a hipocrisia do governo, que não garante licença maternidade remunerada. Segundo o site Quartz, ao serem contratadas para um novo trabalho, muitas mulheres são compelidas a assinar um acordo conhecido como dimissioni in bianco, que permite que sejam demitidas caso engravidem.

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Outra questão conflitante do cenário, segundo a jornalista independente Giulia Blasi, é que, mesmo com o casamento LGBT+ legalizado, casais de mesmo sexo não podem adotar e nem conceber filhos por meio da fertilização in vitro.

“Mesmo que seja de interesse governamental, eles não podem obrigar jovens italianas a procriar sem prover o necessário para que isso seja possível”, comenta em seu website. “O que eles tem em mente é: quem irá pagar as nossas caras taxas? Não os filhos dos imigrantes, que nem são considerados cidadãos italianos – mesmo quando nascem e crescem no nosso solo”, ressalta. ” Tudo isso cai no colo das mulheres italianas, que agora são responsáveis por repopular o país, concluir o seu destino biológico e cumprir o dever patriótico”, conclui de modo irônico.

Como consequência, a ministra da saúde, Beatrice Lorenzin, se desculpou pelo erro da campanha. “Nossa intenção não era ofender e provocar ninguém. Nossa mensagem não deu certo, e iremos mudá-la”, comentou em comunicado oficial.

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