Foto: Vicente de Paulo
Foto: Vicente de Paulo

Há uns dois anos, eu e o José Hugo Celidônio (que faleceu em setembro de 2018) abrimos um restaurante no Rio e fizeram uma matéria na revista de um jornal. Por causa daquela capa, as pessoas começaram a me perguntar: ‘Por que você não é modelo?’ Nunca tinha pensado nisso. Na verdade, já tinha pensado quando era garota, só que não pegava bem naquela época ser modelo ou ser atriz, os pais não deixavam. Sempre fui muito fotogênica, mas deixei isso para lá.

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Com 80 anos – fiz 81 em março -, o fotógrafo Marcelo Faustini, que é meu amigo, me ofereceu um book de presente. Fui ao estúdio dele, tinha maquiador, foi bem profissional e fiquei completamente à vontade. Fiz o book, José Hugo ainda era vivo e achou tudo ótimo, mas parei de pensar no assunto. Me liguei em outras coisas e esqueci dessa história de modelo. Agora, que recebi o book impresso, voltei nisso.

A Cicila (Street, diretora da Dior no Brasil), que é bem ligada em moda, disse que iria marcar uma entrevista para mim em uma agência de modelos em São Paulo e marcou. Fui ontem de manhã na Ford Models, e foi ótima a primeira conversa. Expliquei para eles as razões pelas quais estou fazendo isso: primeiro, porque acho divertido; segundo, para inspirar as pessoas da minha geração. Quem é que quer ser modelo aos 80?

Posso ajudar quem tem minha idade: se posso ficar saudável, com disposição para trabalhar, ter uma vida normal como qualquer jovem tem, sem nenhuma diferença, os outros também podem.

Muita gente acha que está no final da vida e não tem coragem para fazer nada, começa a ficar doente por causa disso, já não sai muito mais de casa, não faz exercício. Com incentivo, a pessoa se anima, passa a se cuidar e a ficar melhor. Sempre me cuidei, fui uma das primeiras pessoas a fazer ioga no Brasil, com o primeiro professor do Rio de Janeiro, Caio Miranda, há mais de 40 anos. Fiz ginástica a vida inteira, sou bem esportista, esquiava todas as temporadas, fazia hiking até dois anos atrás.

Foto: Vicente de Paulo
Foto: Vicente de Paulo

Passei muito tempo indo para Miami, onde andava mais de bicicleta do que de carro. E também é importante cuidar da cabeça. Hoje, faço ioga quando acho que preciso, gosto de praticar sozinha ao ar livre, e tenho professor de ginástica que vai em casa três vezes por semana, faço exercício com peso e aeróbico. É sagrado, não aceito outro compromisso no mesmo horário.

Raramente tomo remédio, nunca precisei para dormir. Na menopausa, tive de tomar antidepressivo porque tive uma pequena depressão e me fez um mal horrível, dava efeito contrário. Graças a Deus, passou e nunca mais precisei de nada. Durmo bem, de sete a oito horas direto. Acordo todo dia às 7h, medito um pouco, leio, sempre estou dedicada ao meu bem-estar e aos pensamentos positivos.

Sou controlada em tudo: fumo, como, bebo e amo chocolate, mas nada em excesso. Adoro uma tequila, uma caipirinha, por exemplo, mas tomo duas. Acho que nem uma menina de 20 anos saudável é como eu, não tenho dor de cabeça, não fico resfriada, não tenho dor em lugar nenhum. Trabalhei a vida toda ajudando o Zé Hugo no que ele precisasse, não tinha uma função certa.

Certa vez, um concorrente tirou o chef, que era casado com a maître, do nosso primeiro restaurante, o Club Gourmet, ainda no Botafogo. Zé Hugo disse: ‘Não tem problema. Vou para a cozinha e você vai ser maître’. Ele dizia: ‘Hoje você vende peixe que está fresco’. Eu só vendia peixe, convencia as pessoas, adorei fazer isso. Não sei cozinhar nada, detesto, mas dava muito palpite na comida que ele fazia.

Agora, estou tentando a carreira de modelo, se der certo deu, se não der, continuo com meus outros trabalhos. Sou representante comercial de uma fábrica de óleo de coco na Bahia e estou trabalhando com uma marca americana de óleos essenciais, faço reuniões em casa e um especialista explica a ação de cada óleo.

O Zé plantava pupunha no sítio e agora está na época da colheita, estou nisso também, oferecendo para restaurantes do Rio. Além disso, ele era coordenador na Universidade Candido Mendes, em Niterói, e tinha se comprometido a organizar aulas e palestras com chefs famosos, e o reitor da faculdade pediu para eu dar continuidade. É muita coisa, mas estou fazendo. Não paro!

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