Renata Bastos – Foto: Arquivo Pessoal

Por Renata Bastos

Não somos apenas visíveis no dia 29 de janeiro. Existimos 365 dias no ano. Existimos e temos o direito de viver livres e sermos respeitadxs por ser quem somos.

Em 2020 aconteceram 175 assassinatos no Brasil, 21 dessas mortes em São Paulo – a cidade que mais mata pessoas transgêneros no País: 100% são mulheres trans. E, ainda, carregamos o título pela 13ª vez consecutiva como o País que mais mata transexuais no mundo. (Fonte: @antra.oficial)

Temos que ter visibilidade trans em casa. Onde a maioria é expulsa. Temos que ter visibilidade trans nas escolas, onde é preciso ter saúde mental para seguirmos os nossos sonhos e metas. Temos que ter visibilidade trans no mercado de trabalho e em todas as suas áreas. Visibilidade trans construindo uma família.

Faça a pergunta: quantas pessoas trans você conhece? Quantas trabalham com você? Quantas você conhece na universidade? Quantas estão no seu conviveu social?

Pense onde você colabora para nós, trans, estarmos na sociedade e não à sua margem. De termos chance de alternância de poder. Pois temos o mesmo direito de pessoas cis, o básico deles que é estar viva neste País, conviver e ter afeto.

Lembrando que o órgão não define gênero. Nós nos definimos e nos construímos ao logo da vida. E seja lá qual for a definição de gênero de qualquer indivíduo, isso não desvaloriza o papel dele (a) na sociedade como ser humano.

Por isso também, fica a dica, de que não precisamos ter uma vagina para ser mulher, nem um pênis para ser homem. Essa é a relação do mundo patriarcal e do universo do falocentrismo já enraizado há alguns séculos. (Falocentrismo é convicção baseada na ideia de superioridade masculina na qual falo representa o valor significativo fundamental)

Deixo aqui minha gratidão a Brenda Lee, primeira mulher trans a ter uma casa acolhedora para população trans. Deixo minha gratidão às mulheres fortes que vieram antes de mim, Telma Lipp, Andréia de Maio, Natasha Dumont e Roberta Close. Não podemos deixar de citar Vera Verão – personagem de Jorge Lafond, mas que certamente tinha em seu DNA de persona a sigla T – Eloina dos Leopardos, Divina Valéria e Claudia Wonder.

Minha gratidão as casas e ONGs espalhadas pelo Brasil, que atendem a nós mulheres e homens trans que são expulsos de casas e só contam com a opção da prostituição. Profissão ainda mão regulamentada e que mais de 90% da população trans utiliza como fonte de renda. Para citar algumas: Casa1, Casa Florescer, Casa Nem, Coletivo Trans Sol.

O ano de 2021 é um marco – tivemos uma vereadora mulher, mais bem votada, sendo negra e trans. Foi o ano também que elegemos nas eleições municipais 30 pessoas trans.

Será um ano de luta, de força e de garra. Para que nós trans tenhamos um futuro de, não apenas em um dia para sermos lembradas, e, sim sermos vistas aonde desejamos estar. Sem medo de ser mais uma estatística em que nossa expectativa de vida é de 35 anos enquanto a população cis é de 75 anos. (fonte @antra.oficial)

Vamos superar toda essa barra pesada e retrógrada com muita resistência.