Iris Apfel em evento armado pela Swarovski - Foto: Ligia Carvalhosa
Iris Apfel em evento armado pela Swarovski – Foto: Ligia Carvalhosa

Por Ligia Carvalhosa,

Representante número um da moda advanced – aquela que coloca o foco em personagens para lá dos 70 anos que merecem (e muito!) a atenção e flashes dos mais renomados veículos, marcas, editores e simplesmente fãs -, a decoradora americana Iris Apfel aterrissou no Brasil a convite da Swarovski.

“Estilo não é o que você usa, mas como usa” declarou de prontidão, deixando claro que o seu colorido e óculos de enormes aros (no seu closet, são mais de 20 modelos dos quais ela não abre mão!) são complementos a algo maior. “É algo que vem de dentro, muito mais do que de fora – acredito que tudo na vida é atitude, go with the flow”.

De dentro, de fora, de lado ou de onde quer que essa “jovem” de 92 anos busque suas referências, o fato é que existe ali uma vitalidade única de quem já muito viveu e soube bem como aproveitar cada uma dessas experiências. “Comecei como paper woman do Women’s Wear Daily”, contou, valorizando a função de carregadora de pilhas e pilhas de papel daquele que é considerado hoje um dos maior jornais da área. “Acho importante experimentar, ficar presa a um só lugar estagna”, dita. Ela nem de longe pensa em se aposentar.

“Parar de trabalhar é pior do que a morte! Se você não está feliz com que está fazendo agora, mude e comece de novo”, aconselha Iris que, cá entre nós, tem sabedoria de sobra para compartilhar. “Tive a oportunidade de mudar muitas vezes de caminho. Se comemos, caminhamos, dançamos… Porque não seríamos capazes de trabalhar com as mais diversas áreas?”, indaga.

Nascida no Queens, a nova-iorquina acumula em seu currículo um extenso portfólio de clientes que inclui até a Casa Branca. “Nós trabalhamos para nove diferentes presidentes – a sra Nixon foi a mais interessante, acompanhava cada passo do nosso dia-a-dia e palpitava muito, mas ao final sempre confessava não ter escolhido a melhor peça e nos pedia ajuda”, entrega Iris que, junto com o marido (com que é casada a mais de 60 anos), foi responsável pela decoração da residência oficial do seu país.

E se hoje a decoradora é tida como ícone fashion que foge dos básicos, ela confessa (com orgulho) que foi uma das primeiras mulheres – se não a número 1 – a comprar um par de jeans. “Foi um longo trabalho de convencimento e depois de muitas idas e vindas consegui levar uma calça para casa”, conta ela, que batalhou pela peça em uma das work stores americanas. “Se vestir é dizer ao mundo quem você é”.

Dona de um closet de dar inveja a qualquer mulher do planeta, ela atualmente foge das boutiques, “eu comprava em qualquer lugar, mas não tenho consumido muito nos últimos anos, pelo contrário, todo o ano esvazio o meu armário com doações para museus e instituições de caridade”. Mas mesmo evitando as compras, ela entrega a chave para o seu estilo: “procuro coisas que nenhuma outra pessoa no mundo busca – torço de um lado, do outro, viro e então uso”, entrega ela que, por incrível que pareça, prefere os básicos. “não gosto de peças ornamentadas porque gosto eu mesmo de enfeitá-las. Você economiza, o que é sempre delicioso, e ainda garante algo totalmente personalizado”.

Para uma vida longa (e divertida) como a dela, um segredo para não se esquecer jamais: “não perca a curiosidade e o senso de humor!”.