Silvia Furmanovich – Foto: Divulgação/Lorena Dini

Já há alguns anos Silvia Furmanovich passa temporadas no Acre, em um ateliê de marchetaria, adaptando a técnica famosa por ornamentar móveis para formatos bem pequenos: suas joias. Agora, ela faz percurso inverso, levando o que aprendeu com os artesãos para objetos de decoração com formatos e motivos inspirados na natureza.

Aliás, casa e verde são dois temas que estavam no radar da joalheira desde 2018, mas o distanciamento social e episódios ambientais que marcaram os últimos meses acentuaram seu olhar. O preciosismo do seu trabalho, que registra aspectos da fauna e da flora tropicais, reforça a urgência da preservação dos biomas nacionais.

Silvia Furmanovich – Foto: Divulgação

Difícil não se encantar com o resultado. Há bandejas em formato de folhas, vasos com delicados ornamentos inclusive no interior e finalizados com esculturas em pedra de borboletas e beija-flores, porta-retratos, caixinhas, bolas e uma impactante mesa lateral inspirada na vitória-régia, a planta aquática típica da bacia do Rio Amazonas, que vive apenas 48 horas e inspira a romântica lenda indígena sobre a lua e a guerreira Naiá.

Silvia Furmanovich – Foto: Divulgação

No ano passado, Silvia fez uma pequena tiragem e expôs na Bergdorf Goodman, em Nova York. “Vendi tudo em um único dia”, conta ela, que há tempos tem vitrine de suas joias na luxuosa loja de departamentos norte-americana. Esse sucesso abriu portas para um espaço exclusivo para a nova empreitada.

Ela conta que tudo começou como uma brincadeira. Primeiro, experimentou a marchetaria em vaso. Gostou do resultado. Fez outro. Viu que havia um caminho promissor nascendo e resolveu seguir em frente. O mais impactante, diz, foi o encantamento de ver, em grande escala, o que até então vinha fazendo uma dimensão minúscula.

O processo continua sendo o mesmo. Primeiro é preciso esculpir a peça em madeira certificada, cujas lâminas mais pigmentos serão usados pelo artesão para decorá-la. O resultado é tão suave que mais parece uma pintura.

Silvia Furmanovich – Foto: Divulgação

Por aqui, os objetos de casa também podem ser encontrados no ateliê-showroom de Silvia, e estarão, em breve, na nova loja, ampliada, no shopping Cidade Jardim – ambos em São Paulo. Inquieta, ela planeja aumentar aos poucos a linha de marchetaria e acrescentar bambu, material que também aparece na joalheria, e incluir animais de madeira confeccionados por artesãos de Alagoas, que ela deseja incrementar com gemas.

Acostumada a rodar o mundo atrás de pequenas antiguidades, base de suas joias, ela tem aberto horizontes descobrindo preciosidades pelo País que estão aguçando seu processo criativo.