por Cibele Maciet

 

Marca de joias mais antiga do mundo, a historia da francesa Mellerio dits Meller  começa em 1613 sob o reinado do infante Louis XIII. Sua criação foi completamente por acaso: o jovem italiano Jean-Baptiste Mellerio (“dits Meller” é o afrancesamento do seu sobrenome) alerta a rainha-mãe Marie de Médecis sobre um atentado contra o rei.

A partir daí, o vendedor ambulante ganha privilégios no livre comércio de cristal lapidado, ferragens, caixinhas e outras mercadorias menores. A joalheria só aparece quase 200 anos depois durante o reino de Louis XVI, e desde então, é o símbolo de um savoir-faire de mais de quatro séculos na alta joalheria francesa. Instalada desde 1815 na rue de la Paix (ao lado da tradicional Place Vendôme), a grife criou peças para figuras importantes da realeza como Joséphine, Maria Antonieta, as condessas de Clermont-Tonnerre e de Ségur, entre outras.

Atualmente dirigida por Laurent Mellerio, herdeiro da 15ª geração de joalheiros da família, sua mulher, Laure-Isabelle Mellerio – à frente direção artística – , e Emilie Mellerio, filha de Olivier Mellerio (da 14a geração), a label escolhe a dedo as instalações de lojas pelo mundo. Além de Paris, eles só estão em Nice, Doha, Hong Kong, Tokio e Osaka.

201802-joias6
Foto: Divulgação

 

Mas se a marca – que fabrica também os troféus dos campeonatos de Roland Garros e as espadas das cerimônias da Academia Francesa de Letras -, é conhecida pelos motivos rebuscados, curvas e entrelaçados, ela também se aventura no universo gráfico com desenhos feitos em 3D nos ateliês da rue de la Paix. A última coleção de joalheria, a Graphic, foi inspirada num antigo bracelete de 1960, época de grandes colaborações com costureiros como Balenciaga, Rochas, Christian Dior e Pierre Balmain (a linha lançada por Alexandre Vauthier em 2015 em colaboração com a marca também se espelhou no famoso bracelete). Apesar da inspiração antiga, a Graphic foi inteiramente desenhada com a ajuda dos mais modernos softwares de design.

Resumo da história: a pulseira sixties, inicialmente montada em ouro cinza cravejado de esmeraldas e diamantes negros, deu luz à criação de dois anéis em ouro cinza e rosa em 2016. Com o sucesso das peças, a linha aumentou e ganhou pulseiras, colares, sautoirs (colares longos) e brincos, sendo um deles, um par de argolas, bem diferente do que a grife costuma fazer.

 

SAUTOIR - Foto: Divulgação
SAUTOIR – Foto: Divulgação
CREOLES CMJN - Foto: Divulgação
CREOLES CMJN – Foto: Divulgação
BRACELET DIAMANTS  - Foto: Divulgação
BRACELET DIAMANTS – Foto: Divulgação
 BO DIAMANTS CMJN - Foto: Divulgação
BO DIAMANTS CMJN – Foto: Divulgação
BAGUE PM DIAMANTS - Foto: Divulgação
BAGUE PM DIAMANTS – Foto: Divulgação
BAGUE GM DIAMANTS - Foto: Divulgação
BAGUE GM DIAMANTS – Foto: Divulgação

Todas as peças estão disponíveis em ouro rosa e cinza com ou sem diamantes. A característica principal da coleção são as duas linhas construtivistas que se cruzam e entrelaçam, criando um movimento infinito. Os preços são um pouco salgados, mas valem pelo percurso centenário da marca: de R$ 11 mil a R$ 63 mil.