Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Em um período de incertezas quanto ao término da pandemia do novo coronavírus e sobre como será o futuro, a saúde mental de todos tem sido diretamente impactada, principalmente a das mulheres. Uma pesquisa realizada pela Kaiser Family Foundation, nos EUA, revelou que, no final de março, 53% das mulheres ouvidas relataram sobrecarga psicológica, enquanto 37% dos homens expressaram os mesmos sentimentos.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Os resultados podem ser reflexos de apreensão, insegurança, sobrecarga de trabalho doméstico e home office, dificuldades econômicas e cuidados com os filhos, que aumentaram com o passar dos dias da quarentena. Isso porque, no início de março, assim que o período de isolamento social começou na maioria dos países, foram 36% das mulheres e 27% dos homens entrevistados que admitiram a carga.

A discrepância entre os relatos chama a atenção de especialistas, que alertam para os fatores neurobiológicos como a sensibilidade às oscilações hormonais nelas. Também há outros motivadores psicossociais que impactam as mulheres durante a vida, como as expectativas que a sociedade impõe sobre elas, assim como possíveis históricos de violências sofridas.

A psicóloga Maryam Abdullah, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, afirma que as mulheres já eram as que mais apresentavam quadros de depressão e ansiedade, mesmo antes da pandemia. Para ela, os níveis em que esses transtornos se manifestam deve aumentar, já que as mulheres têm assumido mais responsabilidades e cuidados com os homens neste período.

“Essa é uma tendência. A pandemia destaca as diferenças entre gênero, raça, classe social e outras características da nossa sociedade. Obviamente, as mulheres estão cuidando das crianças, trabalhando e muitas delas são chefes de famílias. Ter que lidar com essas responsabilidades, sem o suporte para cuidar de seus filhos ou delas mesmas, gera sobrecarga”, diz Maryam.

De acordo com os especialistas, é provável que essa sobrecarga acompanhe as pessoas, principalmente as mulheres, mesmo após o término da pandemia. Deste modo, eles terão que conviver por anos, em níveis baixos ou altos, com fobias como Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Transtorno de Pânico, Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), depressão e ansiedade.

Por isso, é importante que as pessoas que se sintam impactadas psicologicamente com a quarentena e o isolamento social procurem por profissionais formados em uma faculdade de psicologia. Mesmo sem que a pandemia acabe, já há iniciativas em que os psicólogos atendem de forma online e gratuita para quem precisa.