Foto: @carlotasana

Fernanda Russo é uma jovem de 31 anos que já fez muita coisa na vida e viajou bastante. Amante de sua área, marketing digital, ela atualmente tem um projeto no Instagram que vem dando o que falar. O “Stories to Tell” conta histórias de pessoas e lugares, e Fernanda é um ótima contadora de histórias.

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Formada em relações internacionais pela ESPM, ela tem mestrado em Londres e fez MBA em Madri. Atualmente, mora em Barcelona, onde toca projetos de branding para celebridades e em paralelo seu “Stories to Tell”.

A primeira temporada do programa foi feita com empresas de São Paulo, sua terra natal, a segunda foi na Cidade do México, e a terceira será de sua atual moradia, Barcelona.

Descontraídos e cheios de informações cool, os programas podem ser acompanhados no Instagram @ferusso2. Mas um aviso: se não quer se viciar, nem comece a assistir, porque vendo o primeiro, você vai querer ver a todos.

Trajetória

Fernanda saiu cedo do Brasil. Ao 14 anos foi para a Suíça para estudar, onde ficou por dois anos. Lá, conheceu muita gente, várias delas com quem tem contato até hoje. De volta ao Brasil, cursou relações internacionais na ESPM, e achou que havia se encontrado ao estudar tantas partes do mundo e “viajado” em tantas histórias.

Mas não imaginava o que ainda tinha por vir. Formada, embarcou para Londres, para cursar um mestrado com uma bolsa de estudos. E lá, em seu primeiro dia de aula, leu uma frase da qual nunca mais se esqueceu: Everyone has a story to tell, so be kind always. Não à toa ela se sentiu impactada pelo que lera. Ficou em terras inglesas e trabalhou por dois anos e, mais uma vez, voltou ao Brasil.

Foto: @carlotasana

Instalada em São Paulo e trabalhando na Trousseau, onde atuava no departamento de marketing digital, ela cresceu na carreira e acabou viajando bastante por conta dos projetos dos quais participava, sempre ligados a hotelaria. “A gente tem que se aventurar nas loucuras da vida”, diz, mas loucura mesmo Fernanda não fez nenhuma, muito pelo contrário, percebe-se ao conversar com ela como é centrada e traça seus objetivos com uma mira fixa.

Depois de quatro anos na Trousseau, que considera uma família para ela, tamanha a afinidade e aprendizado que teve, chegara a hora de mais uma vez partir para uma nova viagem: o destino, desta vez, era Madri, lugar que escolheu para fazer um MBA (Master of Business Administration).

“Eu sempre fui da área de marketing, comunicação, então fiz o MBA para ir um pouco mais para a área empresarial, e abrir um pouco mais a cabeça”, diz. E assim foi. Formada, decidiu mudar-se para Barcelona, onde vive hoje e tem muitos amigos que a inspiraram a criar o “Stories to Tell”.

“Foi quando eu comecei a me questionar se eu havia estudado a coisa certa, talvez minha área fosse mais turismo. Mas fui levando, até que saí da Trousseau e me mudei para Madri, onde eu fiz o MBA. Me formei. Após o  MBA e fui para Barcelona, sempre no meu ramos de trabalho, com marketing digital, mas em empresas”, conta.

As amizades que Fernanda cultivou ao redor do mundo até hoje a acompanham. Uma delas, espanhola de Barcelona, sempre gera curiosidade entre os amigos, que perguntam: “Há quanto tempo vocês se conhecem?” e elas dizem: há 16 anos, ao que recebem como pergunta: como assim há 16 anos, se você é de São Paulo e ela de Barcelona? Pois é, mas elas se conheceram lá atrás ainda na Suíça e esse traço de Fernanda de manter vivas as amizades só a ajudou em seu projeto. “Eu acho que quando a gente vai deixando a vida fluir as coisas acontecem”, diz.

A essa altura, Fernanda recebeu de uma amiga um convite para trabalhar com influencers. “Hoje atendo uma celebridade internacional, para quem desenvolvo toda a parte de redes sociais, e me coloquei inteiramente desenvolvendo estratégias de branding em marketing digital. Três meses depois, coronavírus. Aí, né, comecei a pensar onde eu estava com a cabeça para largar a vida corporativa para apostar em um projeto novo. Mas, ao mesmo tempo, eu entendia que todo momento de pausa é para nos conectarmos com nós mesmos. Eu amo escutar histórias, saber o que as pessoas estão fazendo e tal, foi quando surgiu o projeto ‘Stories to Tell’.”

 

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Nesse momento de pausa, ela também percebeu que faltava muito conteúdo digital, era tudo mais do mesmo. “As pessoas pararam e pensaram: quem realmente eu estou seguindo? O que realmente importa? Porque antes da pandemia, as influencers mostravam armários cheios de bolsas, suas saídas, os lugares onde iam e com a pandemia tudo isso mudou. E eu percebi que havia uma gap de conteúdo nesse segmento”, explica.

Ela também se deu conta de que quem mais estava sendo penalizado eram justamente os projetos pequenos, que são os que ela mais ama. “Porque são projetos que têm a ver com hospitality, seja um hotel, um restaurante, uma loja conceito, são os que mais estão sofrendo pelo coronavírus e justamente por serem pequenos, pois não têm um fundo de investimento por trás.” E isso tudo dava belas histórias.

“Foi quando eu pensei hoje eu tenho tempo e possibilidade de colocar a minha paixão para fora. Se muita gente vai me ouvir, eu não sei, mas eu acho que meu grão de areia eu posso aportar, e dentro do que eu amo e acredito. Então por que não ajudar essas pessoas com o meu conhecimento de marketing digital? Porque é muito difícil a gente contar a nossa própria história, então eu apostei nesse projeto.” O “Stories to Tell” nada mais é que colocar pessoas e projetos incríveis para mais gente conhecer. E ela é a ferramenta disso.

“A minha pequena grande equipe, que é feita de amigos, me ajuda a contar essas histórias e a exibir novos projetos. A ideia é focar no porquê daquele projeto. E é uma coisa mágica. A minha amiga que está fazendo os vídeos veio da área de cinema. Nesse mundo de transição ela também sofreu muito e percebeu que o que estava rolando agora era o digital. Ela disse uma coisa muito legal: que no mundo digital falta muito a parte artística. Realmente houve uma mudança digital nesses meses de pandemia.”

Foto: @carlotasana

Captação de histórias 

Quando ela teve a ideia do projeto, pensou em começar por São Paulo, sua cidade natal, e a ideia não era falar de grandes empresas, mas um hotel butique, porque o objetivo não era expor os grandes, mas o diferencial. “Foi quando me lembrei do Guest Urban Hotel, que é um hotel de 14 quartos, numa casa, em Pinheiros, criado por Fabio Queiroz e Demian Figueiredo. Tudo o que você vê no hotel está à venda, do lustre a uma almofada de design. É demais.”

Isso foi bem no começo da pandemia, na Espanha, as pessoas já estavam confinadas havia umas três semanas, mas no Brasil a coisa ainda estava leve. Eles acharam incrível o fato de contarmos a história deles. A ideia era fazer o conteúdo para eles mesmos. Logo perguntaram, mas você não vai nos cobrar nada? E ela: não. Quero contar a história de vocês, só isso. “E foi tão legal, porque eles viraram grandes amigos.”

A captação dos projetos acontece muito por meio de amigos, as pessoa vão contando histórias legais que viveram, de lugares que conheceram, e esses temas vão para o “Stories to Tell”.

 

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Por exemplo, a segunda temporada, que foi sobre o México, surgiu de uma conversa que Fernanda teve com amigos antigos, da época quando morava na Suíça. E nesse processo eles a conectaram com uma pessoa incrível, que faz hortas orgânicas na Cidade do México. É muito interessante porque ela teve muitos problemas com alimentação quando mais jovem, então decidiu plantar os próprios alimentos. Só que a coisa cresceu e hoje ela tem uma rede de hortas urbanas e orgânicas onde as pessoas podem usufruir.

 

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“E ela está bombando no México. Ela criou uma das hortas em um terreno onde há uma mesa comunitária. Aí, as pessoas podem ir, reservar essa mesa com amigos, escolher os alimentos, e há um chef para cozinhar na hora, ou seja, a ideia é sensacional.” E, claro, esse é um dos cases do “Stories to Tell”.

Foto: Divulgação

Qual o objetivo do Stories to Tell?

“Conhecer mais projetos e contar histórias”, explica. Fernanda não ganha nada com esses vídeos, isso é feito por amor e pela curiosidade em exibir coisas legais que estão espalhadas pelo mundo. Mas claro que algumas empresas poderiam ter a iniciativa de contar histórias também, através do projeto.

“Por exemplo, há marcas de catchup e mostarda que estão em hamburguerias artesanais em São Paulo, essas empresas poderiam contar, por meio do ‘Stories to Tell’, a história desses hamburguerias, que são clientes deles. Eu acho que existiu a vida antes do coronavírus e a vida pós-coronavírus. Se as marcas não buscarem formas inteligentes de se relacionarem com os clientes, e com uma forma inteligente de conteúdo, elas vão ficar para trás, porque hoje o que as pessoas querem ver é conteúdo.”

Mas Fernanda não ambiciona que o “Stories to Tell” seja assumido por uma empresa, o conceito é que a curadoria dos lugares a serem exibidos passe por ela, porque seu desejo não é vender o projeto para que ele seja apenas uma plataforma de uso de empresas. O “Stories to Tell” foi concebido para manter a qualidade das histórias, com lugares cool, diferentes e interessantes. “Senão o ‘Stories to Tell’ não será mais ele mesmo.”

 

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Resumo

– O projeto começou em maio com a primeira temporada, que foi São Paulo, a segunda acabou de terminar e foi sobre a Cidade do México, e a terceira será sobre Barcelona, em setembro.

– Cada episódio apresenta 4 projetos (que são sempre: um hotel, um restaurante, um bar/café e um concept store/design/arte) dessas cidades que ela escolhe.

– Curadoria projetos escolhidos: são lugares que muitos eu conheço e visitei e outros que amigos que tenho dessas cidades (locais) me indicam. A ideia é explorar projetos que não são “manjados” e que tenham essência e são feitos com paixão. O lema do “Stories to Tell” é falar de projetos pequenos, porém com uma alma muito grande!

– Como é um projeto pessoal todos os vídeos estão disponíveis no perfil pessoal: @ferusso2

Perfil instagram: @ferusso2

Edição vídeos: @oliviapedroso

Design Gráfico: @branco_design

Tradução: @maharabtballas

Fotos Fe Russo: @carlotasana