Teresa Fittipaldi declara seu amor pela cerâmica

Artista faz da sua casa um ateliê

by redação bazaar
Teresa Fittipaldi - Foto:  André Giorgi

Teresa Fittipaldi – Foto: André Giorgi

Por Ana Ribeiro

Teresa Fittipaldi tem esse nome que lembra alta velocidade, barulho de motor, cheiro de gasolina. Isso tudo foi verdade um dia na vida dela. Do casamento com Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial de Fórmula 1, ficou o nome, que virou sua grife. Mas todo o resto está bem diferente.

Morando sozinha em uma cobertura nos Jardins, em São Paulo – a filha Joana mora em Nova York há 12 anos, o filho Luca mora nas proximidades –, hoje é Teresa quem estabelece a aceleração de sua vida. “Ainda gosto de agitação às vezes, mas não sinto mais necessidade de ter sempre programa, de ser convidada para tudo para me sentir viva. Aprendi a apreciar a solidão. É no vazio que você encontra espaço para criar.”

A criação acontece ali mesmo, em sua residência, entre objetos que carrega a vida toda e que foram rearranjados na decoração assinada por Sig Bergamin. Ela própria é motivo de muitas obras: está representada no busto do desenhista, pintor e escultor Florian Raiss e nos retratos pintados pelo filho, de 26 anos. “Ele desenha desde pequeno”, diz ela. “Depois, fez a School of Visual Arts, em Nova York.”

O cineasta Bruno Barreto, que está dirigindo uma série para a TV, levou vários quadros do Luca para compor o ambiente de um consultório de psicanálise. E comprou um deles para sua casa. Luca tem a quem puxar – está cheio de artista na família. Dois irmãos de Teresa, Roberto e Puppy, têm um trabalho interessante. O menino ainda tem um irmão, Jason, que é artista plástico e expõe em Miami.

Teresa conta que o próprio Emerson Fittipaldi desenha muito bem. Ela escolheu a cerâmica como expressão artística. Quando, em 2002, fez faculdade de Artes Plásticas na FAAP, de cara se interessou pela argila. As primeiras peças são dessa época, e ela nunca mais parou de produzir – e nem de ter aulas. O próprio Florian Raiss, que faleceu em março, foi seu professor de escultura. “Continuei o tempo todo fazendo aulas. Aula é muito bom, mas nada como a prática. Fazer, fazer, fazer”, explica.

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O ateliê de Teresa fica em um canto da sala, e é dali que saem as peças intrigantes que se notam pelos ambientes. Pratos pendurados na parede são amostras de um trabalho mais antigo, em que ela explorava os contornos da genitália feminina. A produção atual é composta por formas orgânicas inspiradas em algas-marinhas e vasos-bola que parecem esculturas de ovos de dinossauro de onde os filhotes tenham sido expelidos numa explosão.

“Minha mãe conta que, no pré-primário, a professora a chamou na escola para dizer que um dia eu seria uma grande artista. Ela conta isso brincando, mas sempre lembra dessa história quando vê alguma foto minha com meus trabalhos numa revista ou numa coluna de jornal.”

Todo dia tem mão na massa na vida de Teresa, mas sem pressão. “Já acordo aqui no meu espaço, faço meu café da manhã, ponho meu avental e começo a amassar a argila”, conta. “Nunca sei o que vai virar, cada peça tem o seu segredo, que vai se revelando na forma, na cor, na textura. Nada nunca é igual, as peças não são uniformes, é disso que eu gosto. O processo todo tem uma imprevisibilidade que me agrada. É como a vida.”

E a vida de Teresa, como ela é hoje, tem muito tempo dedicado à arte. “O barro te acalma, te dá alegria, preenche espaços internos. Não penso em nada quando estou amassando, ligo um aplicativo de música clássica e vou para outro mundo. O tempo passa e eu nem percebo.” As peças da linha Teresa Fittipaldi estão à venda na loja Casual, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, na capital paulista.

“O luxo da minha vida vai ser sobreviver do meu trabalho.” Outros luxos existem, claro. Teresa segue sendo uma mulher linda e sexy, com os cabelos prateados que desistiu de tingir. Cuida do corpo fazendo ioga três vezes por semana, além dos tratamentos na clínica Espaço Mira, como o Emsella, que, garante ela, rejuvenesce a anatomia feminina e melhora a qualidade da vida sexual.

Faz alguns anos que Teresa namora Fernando Silva Telles, cada um na sua casa. “Casamento nunca mais”, decreta. Quem dorme com Teresa toda noite é a jack russel Nina.

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