foto: divulgação

O espetáculo Donna Summer Musical, que estreou em 5 de março no Teatro Santander, em São Paulo, fica em cartaz até o começo de maio e conta a vida e a obra do ícone da música mundial Donna Summer. Com direção de Miguel Falabella, o musical de sucesso da Broadway faz um panorama geral da vida pessoal e artística da artista americana, interpretada por três atrizes e cantoras brasileiras

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Jeniffer Nascimento, integrante do extinto grupo “Girls” e co-apresentadora do programa “The Voice Brasil”, vive a artista no auge da era disco, enquanto Karin Hils, conhecida por seu trabalho no Rouge, faz a artista já madura e consagrada. A novata Amanda Souza ficou encarregada de viver a fase da Donna jovem.

Além disso, o figurino do musical ficou por conta de ninguém menos que Theodoro Cochrane. Conhecido por sua carreira como ator, ele tem em seu currículo 12 novelas na Rede Globo e 5 filmes nacionais, mas esses não são, de longe, os números mais expressivos de sua vida: como figurinista, ele já acumula 44 trabalhos ao lado de sua equipe e o musical da Donna Summer é o mais novo deles.

Sendo seu segundo projeto a frente de um musical – o primeiro deles foi o “Zorro – Nasce Uma Lenda” (2019), Cochrane contou à Bazaar que ele e sua equipe produziram mais de 200 figurinos em um período de 1 mês com referência total para os anos 1960 e 1970, nos quais se passam a grande maioria das mais de 24 cenas do musical dirigido por Miguel Falabella.

Além da própria Donna Summer, Theodoro conta que se inspirou em outros grandes artistas do mundo da música para compôr as peças. “Fui pesquisar também, não só nela, como também em outras figuras da época, que frequentavam principalmente o Studio 54 que conversavam com o estilo dela, como Diana Ross, Cher, Tina Turnere Bianca Jaguer, muitas outras. Dos homens, eu vi um pouco de Fred Mercury, Elton John, Iggy Pop e Michael Jackson“.

Veja o papo na íntegra com o ator, figurinista e DJ Theodoro Cochrane.

Conta um pouco como foi todo seu processo criativo para participar do projeto? Foi maravilhoso, intenso e longo. Eu recebi o convite para fazer o musical no final de novembro, início de dezembro passado pela Bárbara Guerra e o Júlio, que são os produtores junto ao Miguel Falabella. Nunca tinha trabalhado com ele, era um sonho. Eu já tinha trabalhado com essa equipe no musical do “Zorro”, no ano passado. Ganhamos até prêmio Shell de melhor figurino e eu demonstrei interesse em fazer o da Donna Summer. Eu sou muito fã dela e falava que queria dar o sangue para esse figurino. E isso realmente aconteceu: dei meu sangue, lágrimas e suor. Várias lágrimas porque fazer mais de 200 figurinos é um processo extremamente exaustivo e cansativo, ainda mais porque a gente lida com uma logística de ensaios muito específica porque o diretor precisa receber uma primeira leva de figurinos e colocar em cena para os atores ensaiarem. Isso em cada cena e esse musical tem mais de 20 cenas. Então, imagina: 20 cenas com algumas dela 24 atores em cena. Fiz uma primeira leva de 24 figurinos que foram aprovados e eu comecei a produzir em janeiro. Só fui começar a produzir esses figurinos no começo de fevereiro, quando todo o espetáculo já estava de pé. Precisam ser roupas fortes, que durem uma temporada de no mínimo 4 meses com 7 espetáculos por semana.

Quantos figurinos você produziu? Você tinha uma equipe, como foi?
Foram 200. Tive uma equipe sim, não dá pra fazer esse trabalho sozinho. Tive a ajuda de três assistentes, além de uma galera pra fazer sapatos e meias-calças, uma equipe para fazer as roupas femininas, uma equipe pra fazer as roupas masculinas. Enfim, uma equipe muito grande mesmo.

Quais foram suas principais inspirações para esse processo? Algum estilista, alguma marca ou estrela da época?
Eu desenhei os 200 figurinos técnicos e um amigo, Eduardo Inagaki, que é um baita ilustrador, desenhou os figurinos artísticos para mim. Eu fui me inspirar na econografia, em vídeos, em todo o universo imagético da Donna Summer. Fui pesquisar também, não só nela, como também em outras figuras da época, que frequentavam principalmente o Estúdio 54 que conversavam com o estilo dela, como Diana Ross, Cher, Tina Turner, Bianca Jaguer, muitas outras. Dos homens, eu vi um pouco de Fred Mercury, Elton John, Iggy Pop, Michael Jackson. Essas pessoas que tinham esse glamour nos shows e no cotidiano. Eu fui ver muita moda da época. Miguel me pediu algumas modas dos anos 60. Então, me inspirei Pierre Cardan; Paco Rabbane; um pouco de Balenciaga; Marquito, o mestre dos paetês brasileiros; Bob Mack, para as franjas. As referências eram as mais incríveis. O maior desafio foi fazer um figurino dignamente incrível com todas essas inspirações tão ricas.

Quais outros projetos você já fez e vai fazer?
Esse é 44º trabalho como figurinista, mas é meu segundo trabalho com teatro musical. Fiz “O Zorro” ano passado com essa mesma produtora. Eu tenho uma carreira paralela a de ator como figurinista e cenografia. Trabalhei muito com a Companhia Hiato, já fiz muita coisa e ganhei vários prêmios. Trabalho muito com a minha mãe: fiz os últimos cenários e figurinos das peças dela, como a última que foi “Casa de Bonecas 2”. Venho já de uma história de figurinos que é uma profissão que também me dá muito prazer. Para o futuro, ainda não estou conseguindo pensar porque esse projeto tem tomado muito meu tempo. Espero que logo tenha algo.

Está feliz com o resultado?
Estou muito feliz com o resultado. Claro que eu mudaria algumas coisas, mas são detalhes que só a gente percebe.