Foto: Arquivo Harper's Bazaar
Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Querido millennial,

Esta semana eu li um artigo curioso falando sobre a vida sexual da nossa geração. Ao que parece, estamos divididos em dois grupos: millennials que nasceram na década de 1980 (no qual eu me enquadro) e os mais jovens, que ainda não chegaram aos 30, estão no auge do colágeno e, mesmo assim, estão transando menos do que pessoas de qualquer outra geração.

O texto falava que os motivos para você, jovem millennial, estar transando menos são: medo de compromisso, foco na vida profissional, excesso de pornografia, uso de antidepressivos e ainda morar com a família. Eu sei que a vida não é fácil. Existe uma pressão enorme na carreira, milhões de estímulos por segundo nos seus aparelhos eletrônicos, muita moda para acompanhar, fotos para postar e festas modernas para ir.

Talvez você durma no quarto ao lado dos seus pais, talvez você não trabalhe ainda com o que ama – e ainda tem a angústia, que chega de lugares desconhecidos e deixa a gente em frangalhos (isso eu te adianto que não passa, mas prometo que melhora).

Mas, daqui a pouco, você vai fazer 30 anos e isso é uma absolvição, porque é o primeiro momento em que se entende que ninguém está mesmo onde sonhou que estaria quanto tinha 20, então relaxe, tenha paciência, se trate bem, medite, mas não deixe de se divertir no caminho, não tenha medo de viver, e muito menos de transar.

Eu, que já passei do retorno de Saturno há algum tempo, talvez tenha algumas palavras para te ajudar a destravar essa questão e sair gozando por aí.

Nem toda mulher quer compromisso, algumas querem só transar. Inclusive ser legal e cordial no pós-sexo não passa a ideia de que você quer casar, só mostra que você é educado. Chupar sempre. Sempre. Esqueça o que a pornografia te ensinou sobre o padrão de corpo feminino e sobre o sexo em si.

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Nem todo mundo curte aquela foda pica-pau cheia de performance, ou até curte, mas não ache que transar é exatamente aquilo, ou que se espera de você esse tipo de comportamento.

Outra coisa a repensar sobre pornografia: eu sei que é cômodo gozar como quiser, à hora que quiser, mas cuidado para não ficar tão autocentrado e acabar perdendo uma das coisas mais bonitas e deliciosas do mundo: contato físico. Monogamia não é a única forma possível de se relacionar, existem outras, escolha a sua, mas não deixe de amar por isso.

Gostar de submissão no sexo não torna nenhuma mulher menos feminista. Se ame e ame o corpo do outro – transar de luz acesa também é maravilhoso. Assim como você, queremos gozar. Sigamos juntos. Você já tem idade o suficiente para entender o que é consensual, o que eu quero também, e se você não perceber e eu te disser, escute, aproveite.

Dito isso, sim, millennial, seus quatro trabalhos diferentes, sua conta de Instagram e sua banda são realmente o máximo, mas eu prefiro saber disso tudo deitada nua na sua cama do que tomando o terceiro café expresso no lugar da moda. Vamos transar?

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