Vencedora de “RuPaul’s Drag Race” quer conhecer Pabllo Vittar: “adoraria uma collab”

Monét X Change dá entrevista exclusiva à Bazaar

by redação bazaar
Foto: Divulgação

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Por André Aloi

Líderes planetárias estão tentando salvar o mundo de um jeito mágico em um musical sci-fi, que mistura comédia, coreografias sensuais e – claro – lip-sync. Poderia ser qualquer adaptação da Broadway desembarcando no Brasil. No entanto, as protagonistas são as superfamosas drag queens do reality “RuPaul’s Drag Race”. “É uma história engraçada, high tech, acho que as pessoas na América do Sul vão curtir porque elas adoram as queens e amam o programa”, empolga-se Monét X Change à Bazaar, ao falar sobre a turnê “Werq The World”.

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Infelizmente para os fãs, o show protagonizado por Monét X Change, Aquaria, Kameron Michaels, Naomi Smalls, Plastique Tiara, Violet Chachki e Yvie Oddlyem, que aconteceria em São Paulo no próximo dia 21.11, foi cancelado. Até o momento, está mantida a apresentação prevista para acontecer no Teatro Sesi, em Porto Alegre, no dia 22.

Quando Monét X Change se montou pela primeira vez, o ano era 2009 e nunca tinha ouvido falar no reality de RuPaul. O show engatinhava na TV americana e, talvez, nem o próprio apresentador imaginava onde chegaria. Dez anos depois, 11 temporadas no ar, com uma nova já garantida, franquia do outro lado do oceano (a versão britânica estreou no mês passado), a drag interpretada por Kevin Bertin sabia de seu legado na primeira vez que viu uma performance em um baile de escola. “Usei a montação como forma de sair do armário”, recorda. “Drag tem o poder de libertar a pessoa que está dentro de você. E, para mim, se tornou um jeito de encarar a vida e as situações do cotidiano.”

Em fevereiro de 2019, a competição fez história na televisão, coroando duas vencedoras. Ao lado de Trinity the Tuck, Monét eternizou seu nome no Hall da Fama das drag queens na quarta temporada do All Stars (programa com rematch de ex-participantes). “Nos demos conta do que havia acontecido na hora em que foi ao ar”, relembra, sendo polida sobre a divisão da coroa – foram gravados dois finais, que se mesclaram na edição.

À época, houve uma pressão dos telespectadores para coroar uma queen negra. “Não acredito que o programa seja preconceituoso. Pelo contrário, é o reality mais diverso culturalmente. Nunca tivemos tantos negros, asiáticos, latinos na história da TV”, defende. Seu bom humor característico e veia cômica a ajudaram a realizar um sonho de infância. “Participar do programa me permitiu que tivesse meu próprio talk show”, celebra.

No “The X Change Rate” (taxa de câmbio, em livre tradução), Monét leva convidados para participar de brincadeiras engraçadas, oferecer conselhos amorosos, de vida e, claro, conversar – até RuPaul passou por lá. Determinação não faz apenas parte do seu discurso. “Sempre fui muito centrada. Antes do programa, eu trabalhava em Nova York, emendava fins de semana para conseguir uma vida melhor”, diz ela, que tinha dois empregos para se aperfeiçoar e chegar ao nível de sucesso que almejava.

Música é outra paixão, que vai além de dublar. Apesar de ter sido “muito difícil” encontrar tempo para o estúdio, este ano ela veio com o EP visual Unapologetically, que vai do clássico ao upbeat, passando por uma ode a Beyoncé. “Devo ter um tempo off no início do próximo ano; vou focar e produzir um produto do qual realmente sinta orgulho”, reforça ela, sobre outro trabalho com cinco a seis músicas – só depois deve lançar álbum.

Sem dúvida, parceria dos sonhos seria com Jennifer Hudson. “Sua voz é gigante, emblemática e linda”, elogia, citando o nome de Amara La Negra como outro grande desejo. Como anuncia o reality: com grandes poderes, vêm as responsabilidades. “Ser drag é uma grande plataforma, porque eu não sou apenas gay, mas negra, ainda mais nesses tempos difíceis – nos Estados Unidos, no Brasil e em outras partes do mundo”, reflete.

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Enquanto artista, ela enaltece a beleza das pessoas negras com suas maquiagens e ensina a amar seu cabelo crespo. “Acho que, por isso, as pessoas se identificam com a minha drag, com meu ativismo e minha arte. Porque eu celebro a experiência negra o máximo que posso.”

Com a fama vinda de um reality show, ela explica que nem sempre é possível encarar com naturalidade a mistura entre experienciar um dia bom e, no outro, um dia péssimo. “As lentes não capturam isso, a não ser que você seja falso. Quando se participa de uma competição como essa (no caso dela, duas vezes), você tem de tentar ser honesta ao máximo”, garante.

Se ela puder dar algum conselho a quem quiser se montar, incentiva: “Seja vigilante e aguente firme. Às vezes, pode parecer que não há uma luz no fim do túnel, mas não há motivo para se envergonhar. Não pense que o trabalho é em vão. Vai valer a pena.”

Sobre o Brasil, ela diz que conhece virtualmente a maior diva da comunidade LGBTQIA+. “Amo Pabllo Vittar, ela é uma das drag queens mais famosas do mundo, é alguém com quem adoraria colaborar. Adoraria encontrá-la”, enaltece, lembrando que, hoje, a brasileira já é maior que a própria RuPaul nas redes sociais, com quase 10 milhões de seguidores.

Apesar da rotina maluca, entre gravações de podcast, programa e entrevistas, ela consegue manter o bom humor. “Estou louca para ver se existem mesmo uns caras gatos por aí”, brinca, antes de se despedir. Se o real significado de se transformar em uma queen é desconstruir tudo aquilo que você acredita sobre si e se reinventar, como fala RuPaul, Monét vem construindo um legado interplanetário, que não pode mais ser medido em moeda corrente.

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