Foto: Unsplash

Os números não mentem. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), 70% de todas as mulheres do planeta já sofreram ou sofrerão algum tipo de violência em algum momento da vida — seja qual for sua condição social, religião, etnia e nacionalidade. Dados como este apenas confirmam o previsto: ainda precisamos avançar, e muito, no combate à violência contra a mulher.

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Para isso, esta quarta-feira (25.11) marca o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, data escolhida para incentivar reflexões e ações sobre situações de violência física, psicológica, sexual, moral e patrimonial, enfrentadas por uma parcela significativa das mulheres ao redor do mundo.

A advogada e influenciadora baiana Clara Phileto destaca que os crimes de violência contra a mulher são dos tipos mais diversos. Entre eles, um é muito recorrente no cotidiano, mas pouco comentado e denunciado formalmente: a violência no ambiente de trabalho. Assédio moral e sexual, abuso verbal, pressão psicológica e humilhação diante da equipe são algumas das situações que costumam acontecer nas empresas.

“Quando experimentada no ambiente corporativo, a violência nesses casos deixa marcas profundas, trazendo às trabalhadoras uma situação humilhante, constrangedora e de grande instabilidade emocional. Muitas não conseguem denunciar porque ficam com medo de perder o emprego, principalmente quando esse assédio é cometido por um superior”, diz Clara.

O que fazer quando acontecer uma situação de violência como as citadas? “A vítima deverá procurar o setor de recursos humanos ou departamento pessoal da empresa para proceder com a denúncia”, aconselha a profissional. “Também poderá contar com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e com o Serviço Especializado de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) da empresa, se houver.”

Nos casos mais graves, a mulher deve levar a denúncia ao sindicato profissional de sua categoria. “Se não obtiver êxito, poderá recorrer ao Ministério do Trabalho e Emprego e ao Ministério Público do Trabalho. É possível ainda encaminhar o caso ao âmbito legal, ajuizando uma reclamação trabalhista”, ensina a advogada.

Clara destaca que não há um momento ideal para realizar a denúncia, podendo variar de caso para caso. Mas que é fundamental a vítima ter consciência de que ela não está sozinha e de que pode pedir ajuda quando se sentir verdadeiramente agredida, independente do contexto.

Ao defender que as mulheres criem coragem para denunciar os agressores, ela afirma: “Hoje, a mulher está amparada pela lei, mas o grande dilema é o medo que as mulheres têm de denunciar e, como consequência, sofrer represálias”, explica. “Esse é um dos fenômenos que acabam impedindo que os crimes sejam devidamente punidos quando ocorrem no trabalho.”

Para as que desejam outras formas de denúncias, ela também sugere a Central de Atendimento à Mulher. “O serviço é gratuito, funciona 24 horas por dia, sete dias por semana e presta um suporte às mulheres em situação de violência em qualquer lugar do Brasil”, completa Phileto.