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Carolina veste moletom Céline, saia NK e mocassins Talie NK. Natalie usa moletom 3.1 Phillip Lim, saia Azzedine Alaïa e sapatos Céline; Styling: Giovanna Meneghel / Beleza: Leticia de Carvalho – Foto: Christian Maldonado / Harper´s Bazaar Brasil

Por Dudi Machado

Mais antiga faculdade da desejada Ivy League, Harvard foi fundada em 1636 e teve em seu hall de alunos nomes como o do ex-presidente americano John Kennedy. Expoentes do mercado financeiro brasileiro, como Jorge Paulo Lemann e André Esteves, também passaram pelo campus verdejante na cidade de Cambridge, no Estado de Massachusetts, arredores de Boston. Some a eles Mark Zuckerberg, Obama, Bill Gates… Mais novas integrantes desse seleto time, as empresárias paulistanas Carolina Andraus e Natalie Klein acabam de voltar de sua primeira temporada de estudos. Coincidência do destino e de interesses, ambas estão cursando o OPM, um dos programas de liderança oferecidos pela Harvard Business school, especialmente desenvolvido para proprietários e presidentes de empresas para que possam assumir e performar sua função em seu melhor.

“Sempre fiz de tudo na NK store: desenvolvia coleções, gerenciava o operacional e decidia os rumos da empresa”, explica Natalie, 39 anos, herdeira do império das Casas Bahia, que, como toda boa empreendedora, montou o próprio negócio, hoje uma das marcas de maior sucesso do País, com a cara e a coragem. “a NK cresceu muito, tenho um excelente time de profissionais, mas tive filhos e não podia mais dedicar 100% do meu tempo ao business, delegar o dia a dia e pensar na estratégia. na época, fiz uma proposta para meu pai: caso meu negócio não desse certo em dois anos, eu iria trabalhar com ele.” Felizmente, não foi o que aconteceu. Passados 18 anos, Natalie comanda 190 pessoas, fábrica, loja e atacado para 80 pontos de venda. “senti falta de ferramentas que me dessem suporte para criar estas estratégias.” O curso chegou no timing perfeito.

Paulistana da mesma geração, Carolina Andraus se formou na FGV e trabalhou por uma década no mercado financeiro.Tirou um período sabático fora do Brasil e, na volta, fez uma rápida incursão pelo mundo da moda. sua ida a Harvard tinha dois focos: sua empresa de desenvolvimento imobiliário e uma nova start up no mesmo setor ainda em desenvolvimento.“trabalhava com todas as grandes empresas brasileiras. Senti falta dessa troca ao sair do mercado financeiro. No setor privado, acabamos ficando um pouco isolados. Já fiz três cursos em Harvard. Precisava trazer um novo olhar para o meu negócio e para o País, ferramentas para acelerar todo o processo.” O curso consiste em três semanas de imersão no campus da faculdade, anualmente, durante três anos. Os estudos começam por volta das 6h45 da manhã e só acabam perto da meia-noite. Folga? Apenas sábado e domingo.

Harvard tem um princípio: é mais difícil sair do que entrar. Não interessa quais as notas, 8% dos alunos são reprovados.Todos têm de ir além.“não tinha tempo nem cabeça para fazer um telefonema.a imersão era total”, resume Carolina.“A experiência foi um divisor de águas.A chegada já foi um choque. Propositalmente, eles te arrancam de sua zona de conforto”, emenda Natalie, que, como todos os outros alunos, trocou o conforto de casa pela vida no campus. Nada assustadas com tanto estudo, as alunas também concordam que as transformações são tão radicais que merecem cautela ao serem aplicadas na vida real de suas empresas.“Hoje, estudar é obrigatório. É preciso se atualizar, as velhas regras não funcionam para o jogo atual e isso serve para qualquer idade e estágio da vida”, resume Natalie. Novas e refrescantes visões de mulheres bem-sucedidas que não se acomodaram em seguir o caminho fácil.