Xuxa usa casaco Silvia Ulson, cinto Pernambucana da Gema e botas Christian Dior – Foto: Brunno Rangel, com direção criativa de Ma Feitosa, edição de moda de Marcelo Cavalcanti, beleza de Everson Rocha e tratamentode imagem da Raw Plus

Aos 57 anos, Xuxa sabe que envelhecer em frente às câmeras é cruel, mas está confortável com suas escolhas e sua imagem, e intervenções estéticas invasivas não estão em seu horizonte – “Me borro de medo de ficar com a cara de todo mundo”. Pega sol “pra caramba” sem protetor solar, não tem feito muita ginástica e nem zelado “tanto” pelo corpo. Quer praticar ioga para ganhar elasticidade.

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Bem-estar

A busca pelo bem-estar tem sido muito mais interna. Católica, encontrou conforto na literatura espírita para as perdas recentes, como a da mãe, dona Alda, há dois anos: “Violetas na Janela”, “O Voo da Gaivota” e “Muitas Vidas, Muitos Mestres”, para citar alguns títulos de sua cabeceira. “Se você me perguntar se tenho medo da morte, digo que tenho mais medo desse buraco que fica quando as pessoas que a gente ama vão embora”, reflete. “Vivi tudo o que eu podia. Se continuar (após a morte), ótimo, porque vou ver minha mãe e as pessoas que amo.”

Altruísmo

Ela também está satisfeita com seu papel social. O altruísmo sempre esteve presente, e não necessariamente sob os holofotes. Por 28 anos, comandou a fundação para crianças que levava seu nome; por meio de uma de suas empresas, a Espaçolaser, doou R$ 1 milhão ao SUS para o combate da Covid-19 e cinco respiradores para São Paulo; e, com sua parceria com a Baruel, entregou 300 mil sabonetes.

Foto: Brunno Rangel, com direção criativa de Ma Feitosa, edição de moda de Marcelo Cavalcanti, beleza de Everson Rocha e tratamentode imagem da Raw Plus

A preocupação com os baixinhos se intensifica neste momento de isolamento social. Enquanto a mídia coloca luz na questão da violência contra a mulher, Xuxa alerta para o aumento do abuso de crianças, que estão o tempo todo dentro de casa, cheias de energia, com responsáveis que já praticavam algum tipo de violência física contra elas. “Será que alguma autoridade pode ir a estas casas e retirar as crianças para protegê-las dos pais?”, indaga.

Há 41 anos na frente das câmeras, a gaúcha terá todas suas facetas evidenciadas em uma cinebiografia, “Rainha”, ainda sem previsão de estreia. Quem acompanha sua trajetória de sucesso não imagina que, na época de manequim (como eram chamadas as modelos nos idos de 1980), se sentia intimidada por mulheres mais bonitas ou mais altas do que seu 1,78m ao entrar na passarela. “Minha mãe me olhava dentro dos olhos e falava: ‘Se você não acreditar, ninguém vai. Bota agora na sua cabeça que é a mulher mais bonita daqui e arrasa'”, se recorda. “Vivia uma personagem de que era aquilo e chegava a convencer.”

Novas propostas

E assim trilhou seu caminho na frente do público. Xuxa também vem sendo sondada, por estúdios e plataformas de streaming, para séries, documentário e outras produções. “A TV mudou muito. Não tenho mais muita coisa para oferecer para a televisão, e ela não tem muito mais coisa para oferecer para todos nós”, decreta.

Foto: Brunno Rangel, com direção criativa de Ma Feitosa, edição de moda de Marcelo Cavalcanti, beleza de Everson Rocha e tratamentode imagem da Raw Plus

“Xous”

Xuxa quer se arriscar em algo que nunca fez depois que o desejo pelo cinema arrefeceu. Há mais de uma década sem atuar na telona, percebeu que os longas foram muito pautados em comédias, enquanto queria passar neles uma mensagem de vida. Na agenda, tem 16 shows de ode aos “xous” do início de carreira, que estão sendo remanejados.

Espera que 2021 seja o último ano no palco, saindo de uma nave espacial e vestida com as famosas xuxinhas no cabelo e bota de cano alto, que eternizaram sua imagem de rainha dos baixinhos. “Não vim a este mundo só para ser apresentadora infantil, só artista. Vim com todos os defeitos e todas as virtudes”, analisa.

Seu propósito é evoluir como ser humano. “Queria muito chegar aos 60 anos e pensar: ‘Que bom que as pessoas pararam de me cobrar tanto’. Porque acho que eu preciso desse respiro, que não tenho faz muito tempo.”